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Ronaldo Laranjeira – Recomeço: direito a uma nova vida
Folha de São Paulo – Opinião

Por muito tempo, perdurou na sociedade o entendimento de que as drogas são um caminho sem volta.
Apenas alguns poucos privilegiados, oriundos de famílias com altíssimo poder aquisitivo, podiam bancar tratamentos em clínicas particulares, no Brasil ou no exterior.
O crack, droga tão barata quanto avassaladora, invadiu as cidades brasileiras e causou um sem-número de dependentes, muitos de famílias humildes com pouco ou nenhum respaldo do poder público.
Instalou-se uma nova epidemia, que além de mortes gera desespero e angústia. Muitos dependentes, abandonados pelas famílias, vagam pelas ruas, moribundos, e caminham para um provável desfecho trágico. Mas vários deles querem se livrar dessa nefasta dependência.
O governo do Estado de São Paulo entende que essas pessoas têm o direito de recomeçar uma nova vida, e que isso passa necessariamente pelo adequado acolhimento, pelo tratamento psiquiátrico, que poderá auxiliá-los a abandonar o uso da droga, e por um período de recuperação essencial para a reinserção familiar, social e econômica.
O programa Recomeço, lançado pelo governador Geraldo Alckmin, sintetiza essa disposição. Simboliza uma esperança ao usuário e à sua família, ao incentivar a procura espontânea por assistência especializada. E institui mecanismos para garantir o tratamento mesmo dos mais resistentes, nos casos considerados mais graves, dentro do já estabelecido em lei.
O projeto implantado na capital paulista, com o plantão judiciário e a unidade social do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), ganhou recentemente o imprescindível apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio da disponibilização de resgate especializado do Samu aos dependentes e da descentralização do atendimento por intermédio de 24 Caps Ad (Centros de Atenção Psicossocial “” Álcool e Drogas).
Agora, o governo paulista acaba de lançar para cidades do interior e litoral o Cartão Recomeço. Trata-se de uma iniciativa fundamental, que irá assegurar a oportunidade de efetiva recuperação dos dependentes por meio de financiamento de uma etapa crucial do tratamento.
Após a fase de estabilização, os pacientes serão supervisionados em comunidades terapêuticas credenciadas pelo governo ou em moradias assistidas (casas de recuperação em área urbana).
Marcelo Cipis
No fundo, esse modelo social de recuperação complementa o modelo médico de tratamento. Após a abstinência, vem a reconstrução, que precisa ser feita num ambiente estável e que fortaleça princípios de valorização da vida.
O crédito para o tratamento será de R$ 1.350 mensais, a ser depositado diretamente ao serviço contratado. O valor não será entregue ao dependente ou a seu familiar.
Por isso mesmo, a expressão “bolsa crack”, utilizada por alguns, é, além de abominável, um desserviço à população e um desrespeito aos próprios dependentes e familiares.
As comunidades terapêuticas prestam inestimável serviço à recuperação de dependentes químicos. São extremamente úteis nos casos em que o paciente não tem indicação de internação, mas precisa de apoio para o restabelecimento de seu vínculo familiar e social. Do mesmo modo, auxiliam a recuperação de pacientes que já passaram por internação hospitalar para estabilizar seus quadros agudos de dependência. E é preciso deixar claro que as comunidades terapêuticas não são novidade na saúde mental. Pelo contrário: foram previstas na reforma psiquiátrica de 2001.
Com o novo cartão, São Paulo dá um passo decisivo no fortalecimento da rede de proteção aos dependentes de crack, proporcionando a todos eles, e não apenas aos poucos privilegiados por sua origem abastada, uma verdadeira chance de recomeçar.
RONALDO LARANJEIRA, 56, professor titular de psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é coordenador do programa Recomeço
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OMS: doenças mentais e neurológicas atingem cerca de 700 milhões de pessoas
Jornal do Brasil
Rio de Janeiro _RJ
As doenças mentais e neurológicas atingem aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo, representando um terço do total de casos de doenças não transmissíveis, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os especialistas advertem que pelo menos um terço dos que sofrem com problemas mentais e neurológicos não tem acompanhamento médico. A revelação está no Plano de Ação para a Saúde Mental 2013-2020.
Ao longo desta semana, especialistas estarão reunidos para discutir o assunto, em Genebra, na Suíça, durante a Assembleia Mundial da Saúde. O Plano de Ação para a Saúde Mental 2013-2020 mostra que as doenças mentais representam 13% do total de todas as doenças do mundo e são um terço das patologias não transmissíveis.
Segundo as estimativas, cerca de 350 milhões de pessoas deverão sofrer de depressão e 90 milhões terão uma desordem pelo abuso ou dependência de substâncias. A OMS define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração.
A depressão pode ser de longa duração ou recorrente. Na sua forma mais grave, pode levar ao suicídio. Casos de depressão leve podem ser tratados sem medicamentos, mas, na forma moderada ou grave, as pessoas precisam de medicação e tratamentos profissionais. Segundo a OMS, quanto mais cedo começa o tratamento, melhores são os resultados.
Vários fatores podem levar à depressão, como questões sociais, psicológicas e biológicas. Estudos mostram, por exemplo, que uma em cada cinco mulheres que dão à luz acaba sofrendo depressão pós-parto. Especialistas recomendam que amigos e parentes das pessoas que sofrem de depressão participem do tratamento.
As doenças neurológicas, segundo especialistas, deverão afetar 50 milhões de pessoas, entre elas a epilepsia – doença cerebral crônica que se caracteriza por convulsões recorrentes que podem levar à perda da consciência. Aproximadamente 35 milhões de pessoas deverão sofrer do Mal de Alzheimer, síndrome crônica ou progressiva que leva à perda das funções cognitivas, entre outros distúrbios.
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Consumo nocivo de álcool cresce 31%
O Povo
O consumo abusivo de álcool cresceu 31,1% entre os brasileiros nos últimos seis anos, especialmente entre as mulheres jovens, de acordo com o 2ºLevantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo.
Foram entrevistadas 4.607 pessoas com 14 anos ou mais, em 149 municípios brasileiros. Esse crescimento foi observado no indicador que demonstra quando a pessoa ingere grandes doses de álcool (4 para as mulheres, 5 para os homens) em menos de duas horas. Entre as mulheres, o aumento foi de 36% – no ano passado, metade delas bebeu dessa maneira. Entre os homens, o número subiu 29,4%. Os dados demonstram que os 20% que mais bebem consomem 56% de todo o álcool comercializado.
Facilidade para comprar
“Temos 1 milhão de locais de venda de álcool no País. Esse mercado não foi mexido. A indústria tenta se expandir, e essa tendência continua intocada. Não temos nenhuma política pública para desestimular o consumo. A única política existente é aquela que desestimular o beber e dirigir, e isso é bem diferente”, diz.
A psicóloga Iana Pinsky, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Drogas (Abead), também critica a falta de políticas públicas. “Dificultar o acesso é a primeira providência que o governo precisa tomar. Também é necessário reduzir os locais de venda do produto e os horários, além de aumentar o preço. Hoje é possível comprar bebida alcoólica em qualquer lugar, a qualquer hora e a um preço baixo”, avalia. Outro problema, diz Iana, é o excesso de publicidade voltada principalmente ao jovem. “Há na internet, nas redes sociais, na TV. É uma coisa brutal. E, cada vez mais, o foco são as mulheres.”
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Restrição à venda de cigarro causa polêmica no Senado
Congresso em Foco
Projeto de lei que proíbe o comércio do produto em supermercados, padarias e lojas de conveniência acirra divergências entre entidades ligadas à saúde, ao comércio e à indústria tabagista
Por Edson Sardinha
Um debate sobre o projeto de lei que proíbe a venda de cigarros em padarias, supermercados, lojas de conveniência, postos de gasolina e bancas de jornal escancarou as divergências entre entidades ligadas à saúde e representantes do comércio e da indústria tabagista. Os argumentos conflitantes ficaram evidentes na audiência pública, realizada ontem (14) na Comissão de Assuntos Sociais, do Senado, para discutir proposta do senador Paulo Davim (PV-RN) (veja a íntegra do PLS 139/2012).
De um lado, a defesa da interferência do Estado para restringir a venda do cigarro, numa tentativa de reduzir o consumo do tabaco em razão dos malefícios causados à saúde e dos gastos elevados do setor público com o tratamento de doenças relacionadas ao fumo, como o câncer. “O fumo causa tanto mal que é inacreditável como pode ainda ser autorizado pelo governo e até incentivado”, criticou o médico e coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Luiz Carlos Correa da Silva.
Do outro lado, a defesa do livre arbítrio do consumidor e da importância econômica do setor tabagista para o país. “Nós já temos até uma preocupação muito séria com o mercado ilegal advindo do Paraguai, que está cada vez num índice maior. São produtos que não têm nenhuma inspeção sanitária”, afirmou o secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo), Carlos Fernando Costa Galant, para quem a restrição no comércio vai aumentar o contrabando e prejudicar a economia nacional. Segundo ele, a medida vai reduzir os atuais 400 mil pontos de venda de cigarro a 1.100 tabacarias.
Impostos e saúde
Também presente à audiência, o advogado Guilherme de Almeida, representante da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), criticou a indústria tabagista por não levar em conta os malefícios causados pelo cigarro e embasar seu discurso contrário ao projeto unicamente na questão econômica. “A indústria quer ter cada vez mais acionistas e vender mais cigarros, custe as mortes que custar”, declarou. Para ele, apesar de lícito, o cigarro não deveria ser exposto à venda em qualquer lugar, principalmente em ambientes frequentados por crianças e adolescentes, por causar dependência química, doenças e morte.
O médico Luiz Carlos Correa destacou que, pelas restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à venda de medicamentos, o cigarro não poderia ser comercializado indiscriminadamente. “Concebo o tabagismo como uma doença, que tem como principal característica a dependência da nicotina”, afirmou. Na condição de dependente químico, ressaltou o especialista, o consumidor perde a liberdade de decidir.
Para o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Brasília, Clayton Faria Machado, a restrição no comércio do tabaco é inócua e prejudica, sobretudo, pequenos empresários que dependem da venda do cigarro para manter seus negócios.
“Não se iludam, não vai ser essa lei que vai fazer com que o cidadão que consome cigarro deixe de consumir. Tudo bem, eu não sou médico, não estou discutindo se cigarro faz bem ou se faz mal. Estou discutindo o direito da minha base comercializar um produto que o governo aceita ser industrializado”, afirmou.
Mudança de consciência
Clayton entregou ao senador Paulo Davim – autor do Projeto de Lei 139/2012, que restringe a venda de cigarros – um manifesto assinado por cinco entidades contra a proposta. O senador questionou o argumento econômico invocado por representantes do setor tabagista. Segundo ele, se o tabaco rende ao governo R$ 6 bilhões por ano em tributos; por outro, o governo gasta R$ 22 bilhões com o tratamento de doenças causadas pelo cigarro.
“A discussão aqui paira sobre um aspecto: o econômico. Porque eu não acredito que nenhum dos debatedores tenha dúvida, por menor que seja, quanto aos malefícios do cigarro. Eu tenho absoluta certeza que todos os debatedores aqui não gostariam de ver o seu filho fumando cigarro. É dolorido? É. Mais cedo ou mais tarde isso vai ter que acontecer. A sociedade evolui. Antigamente se fumava muito. Era charmoso fumar. Houve uma mudança de consciência”, declarou o senador, que é médico.
A proposta ainda tem longo caminho pela frente para virar lei. Após ser votada pela Comissão de Assuntos Sociais, será submetida às comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle. Depois dessa última comissão, o projeto pode ser enviado diretamente para a Câmara caso não haja recurso para sua apreciação em plenário.
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‘CVV do crack’ recebe 33 ligações por dia
Jornal O Estado de S. Paulo
LÍGIA FORMENTI – Agência Estado
Pelas estatísticas do serviço VivaVoz, ligado ao programa Crack, É Possível Vencer, tem-se uma amostra do avanço do uso da droga no País. Quando o atendimento foi lançado, em 2005, 7% dos aconselhamentos eram relacionados ao crack e à cocaína. No ano passado, o porcentual subiu para 28%. Há uma média diária de 33 ligações em busca de auxílio. “É um número significativo”, afirma a coordenadora do serviço, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde, Helena Barros. Transformado em utilidade pública no ano passado, quando foi integrado ao programa criado pelo governo federal, o VivaVoz (132) passou a atender todos os dias da semana, sem interrupção, como um “CVV das drogas”.
Os resultados alcançados pelo trabalho indicam o quanto o atendimento por telefone pode ser promissor. “Principalmente entre jovens”, diz Helena. Estudo feito com 1.124 usuários de crack ou cocaína atendidos pelo programa, de 14 a 24 anos, mostra que 30%, ao fim do acompanhamento, afirmavam ter deixado a droga.
Para fazer o trabalho, metade dos usuários recebeu aconselhamento comum e outra parte foi atendida com entrevista motivacional. Dos integrantes desse último grupo, 40% disseram ter deixado a droga. As informações são obtidas por meio de relatos dos próprios pacientes.
“Temos de nos fiar na veracidade das informações prestadas. Mas estudos internacionais mostram que nesse tipo de entrevista a confiabilidade é de aproximadamente 85%”, conta Helena. Entre maiores de 24 anos, os resultados foram menos expressivos. Daqueles que receberam atendimento convencional, 15% relataram abstinência. “Quanto menos tempo de uso, mais vínculos o usuário tem, menores são os estragos e, portanto, mais fácil é a recuperação.”
O serviço começou a ser feito em 2005. No ano passado, o programa foi integrado ao Crack, É Possível Vencer e o atendimento foi ampliado. O número de consultores deverá passar dos atuais 20 para 30 até o fim do ano. Ao longo desse período, 2,5 milhões de chamadas foram feitas. “Atendimentos propriamente ditos foram 400 mil”, diz a professora.
Perfil
A maior parte das pessoas que procura o VivaVoz é das classes C e D. São homens solteiros, com mais de 35 anos e ensino fundamental incompleto, diz Helena. “Acreditamos que o serviço pode ser um instrumento valioso de acesso ao tratamento.”
O psiquiatra do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Proad-Unifesp), Tiago Fidalgo, considera a entrevista motivacional uma estratégia importante.
“Ela estimula o paciente a passar de um estágio de contemplação, aquele em que está começando a pensar em interromper um vício ou hábito, para um planejamento mais efetivo e, numa outra etapa, para a ação”, afirma. A estratégia completa também pode ser eficaz em momentos de recaída. “Com a entrevista, a pessoa é estimulada a não desistir e retomar a ação.” Já o psiquiatra Mauro Aranha não exibe o mesmo entusiasmo. “É um recurso interessante, mas muito limitado”, afirma. Para ele, esse tipo de atendimento serve apenas para uma primeira orientação.
Telefonemas
A professora Helena Barros afirma não haver informações se as pessoas atendidas pelo serviço procuram, simultaneamente, um tratamento presencial. O VivaVoz cabe a estudantes de cursos na área de saúde e assistência social. “A ideia é ajudar a pessoa que está do outro lado da linha a escolher uma data para parar ou reduzir o uso da droga”, conta Helena.
O ritmo de ligações no serviço de viva-voz aumenta quando a noite avança. Nesse horário, a maior parte dos telefonemas é de dependentes pedindo ajuda para encontrar o tratamento. Muitos deles sob efeito de drogas, conta a consultora Cláudia Flores Abrahan.
Nos dois anos de trabalho no VivaVoz, Cláudia, que é também estudante do 7.º semestre de Psicologia, já atendeu incontável número de telefonemas: além de dependentes, estudantes em busca de informações para trabalhos escolares, familiares querendo orientações sobre como lidar com o parente usuário de drogas.
Não é raro também receber ligações de crianças interessadas em ajudar os pais a abandonar o vício. “Para cada público, temos de ter a linguagem apropriada, uma abordagem diferente. Mas sempre procurando transmitir motivação para enfrentar o problema”, conta.
O telefonema mais crítico, recorda, ocorreu há alguns meses. Do outro lado da linha, um dependente dizia que ia se matar. “As conversas vêm carregadas de emoção. Muitas vezes sugerimos que a pessoa vá buscar um copo d?água para se acalmar, esperamos o tempo que for necessário”, relata.
Quando um tratamento consegue sucesso e a pessoa resolve parar de se drogar, é recomendado ao usuário fazer um acompanhamento até seis meses depois da interrupção da droga. Nesse período, sete ligações são feitas e compromissos são retomados. “Muitos conseguem completar o ciclo”, destaca a professora Helena Barros.
Mas, como o atendimento do serviço também é aleatório, Cláudia afirma que nunca sabe qual será o próximo caso. “Temos de estar sempre bem preparados. Telefonemas duram o quanto for necessário.” A experiência que adquiriu até agora trouxe uma certeza. “Assim que me formar, vou continuar trabalhando na área.
” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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CRACK, É POSSÍVEL VENCER
Portal da Saúde
Mais cinco municípios do Paraná aderem ao programa
Por Zeca Moreira, da Agência Saúde 
Com a adesão, as cidades receberão recursos para implantar e fortalecer os serviços de saúde, assistência social e segurança pública. Ao todo, serão investidos R$ 52,3 milhões até 2014.
O governo federal expande as ações do Programa ‘Crack, é possível vencer’ para cinco municípios do Paraná. Chegou a vez de Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa receberem recursos para implantar e fortalecer serviços de saúde, assistência social e segurança pública voltados ao tratamento de usuários de crack e ao enfrentamento do tráfico de drogas ilícitas. Ao todo, estão sendo investidos R$ 52,3 milhões até 2014. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (17) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a inauguração no Centro de Atenção Psicossocial 24 horas (CAPS) do Boqueirão, bairro de Curitiba.
“Este é um avanço na reorganização do SUS que a gente precisa fazer para aliviar o sofrimento das vítimas da dependência química e de seus familiares. Estamos ajudando a construir uma rede e oferecer tipos de atendimento diferentes para situações diferentes. Terão Consultórios na Rua para abordagem e cuidados dos usuários que moram na rua; teremos centros como este para acompanhamento não só do usuário como da família e teremos ainda as Unidades de Acolhimento para internações mais prolongadas e leitos também em hospitais”, disse o ministro.
O Estado do Paraná e a capital, Curitiba, já tinham aderido ao Programa Crack em julho de 2012, com aporte de R$ 102,2 milhões na ampliação das redes de atenção, na capacitação profissional e no policiamento ostensivo e comunitário, além da implementação e aquisição de equipamentos voltados à prevenção, abordagem, acolhimento e cuidado com os usuários de drogas e seus familiares. Sendo assim, com o acréscimo dos novos recursos para ampliar as ações em outras cidades, totaliza-se um repasse de R$ 154,5 milhões para o Paraná.
As assinaturas do termo de adesão ao programa ocorreram em Pinhais/PR, durante o Encontro Estadual com Novos Prefeitos e Prefeitas. O governo federal foi representado pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Saúde - Para as ações da área da saúde, serão investidos, até 2014, R$ 33,8 milhões nesses cinco novos municípios parceiros do governo federal no enfrentamento ao crack, sendo R$ 9,3 milhões para Londrina, R$ 8 milhões para Foz do Iguaçu, R$ 6,3 milhões para Ponta Grossa, R$ 5,3 milhões para Maringá e R$ 4,9 milhões para Cascavel.
A verba do Ministério da Saúde será aplicada na implantação ou qualificação de quatro Consultórios na Rua; seis Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD III); um CAPS I; um CAPS II; um CAPS AD; um CAPS 24h; 13 Unidades de Acolhimento (UA), sendo seis UAs adulto e sete UAs infanto-juvenil e 338 leitos. Dentre os leitos, 73 são em enfermarias especializadas em saúde mental, 195 são de Unidades de Acolhimento e 70 leitos em CAPS.
Além dos recursos para o tratamento dos usuários de crack, o Ministério da Saúde anunciou a criação de quatro portarias aumentando o número de Equipes de Saúde da Família (ESF), Equipes de Saúde Bucal (ESB), Consultórios nas Ruas (CR) e Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Com a medida, será possível o aumento em até três vezes dos recursos repassados mensalmente para custeio dessa melhora.
Atualmente, Curitiba recebe R$ 3,1 milhões a cada 30 dias para custear 184 (ESF), 1.053 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), 155 (ESB) e 16 (NASF). A partir do mês que vem terá a disposição R$ 9,1 milhões para implementar e pagar 566 ESF, 2.264 ACS, 300 ESB, 112 NASF e quatro Consultórios na Rua. O custeio das equipes só ocorre após o início do seu funcionamento.
Em uma quinta portaria, ainda para Curitiba, o Ministério da Saúde vai liberar R$ 3,9 milhões para o Hospital Universitário de Cajuru. Com a verba será possível reforçar os serviços prestados pelo hospital à comunidade.
Outras ações - Para as ações de implantação de policiamento ostensivo e de proximidade nas cinco cidades paranaenses, a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ) irá investir recursos que totalizam aproximadamente R$ 12 milhões na compra de seis bases móveis, 120 câmeras de videomonitoramento, 12 viaturas, 12 motocicletas, 300 pistolas de condutividade elétrica e 900 espargidores de pimenta, além da capacitação de 240 profissionais de segurança pública que atuarão nessas bases e na ampliação do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).
A entrega das bases móveis está prevista para agosto do próximo ano. Dentre os equipamentos, a cidade de Londrina irá receber duas bases, enquanto que cada uma das demais cidades – Foz do Iguaçu, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa – receberá uma base. Cada equipamento conta com 20 câmeras de videomonitoramento fixo, dois carros, duas motocicletas, 50 armas de condutividade elétrica e 150 espargidores.
Por meio da Secretaria de Políticas Sobre Drogas (Senad), o MJ disponibilizará ao Paraná mais R$ 4,5 milhões para capacitar 8.193 educadores dos novos municípios inseridos no programa, 4.682 conselheiros, 1.170 lideranças religiosas, 1.756 operadores do Direito e 585 Comunidades Terapêuticas, além de 1.170 vagas no curso Supera (sistema para detecção do uso abusivo e dependência de substâncias psicoativas: encaminhamento, intervenção breve, reinserção social e acompanhamento).
No âmbito da assistência social, os cinco municípios do Paraná receberão, ao todo, um aporte financeiro de aproximadamente R$ 2 milhões até 2014, dos quais R$ 430 mil são para Maringá, R$ 250 mil para Ponta Grossa, R$ 340 mil para Foz do Iguaçu, R$ 260 mil para Cascavel e R$ 600 mil para Londrina.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) priorizou o fortalecimento e ampliação do Serviço Especializado de Abordagem Social. Dentre os serviços e equipamentos ofertados para as cidades que assinam o termo de adesão no Paraná, destacam-se 29 Centros de Referência de Assistência Social (Cras), dez Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), cinco Centros para População em Situação de Rua (Centros POP) e 450 vagas em Serviços de Acolhimento para População em Situação de Rua (abrigos).
Com a adesão das cinco cidades paranaenses, já somam 13 municípios incluídos no processo de expansão do Programa Crack em 2013. A partir de agora, para além das 13 capitais que já tinham sido pactuadas no ano passado, serão ampliados os serviços e o número de equipamentos de saúde, assistência social e segurança pública em Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Maringá (PR), Cascavel (PR), Ponta Grossa (PR), Belém (PA), Ananindeua (PA), Santarém (PA), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Natal (RN), Mossoró (RN) e Parnamirim (RN).
Para a implementação das ações do Programa Crack em todo o país, o governo federal já registra um investimento que ultrapassa R$ 1,5 bilhão, se unidos os valores a serem repassados em todas as 17 unidades federativas que já aderiram ao programa: o Distrito Federal e os Estados de Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Acre, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Piauí, Paraná, Ceará, São Paulo, Rio Grande do Norte e Paraíba.
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