Os famosos que decidiram lutar contra o estigma das doenças mentais

Victoria e David Beckham.
Victoria e David Beckham. Darren Gerrish WireImage

As doenças mentais têm suas peculiaridades. A primeira é o estigma social. Temos dificuldade em entender que se quando nossa perna dói é preciso ir ao médico, quando nos dói “até a alma” também é preciso ir ao especialista. É por isso que ainda existem pessoas que resistem a falar de seus problemas e procurar ajuda, justamente por esse medo do que “os outros dirão”.

Nesse sentido, são várias as personalidades que quiseram falar de suas próprias doenças mentais para sensibilizar sobre o assunto e acabar com o estigma. Um dos últimos e melhores exemplos foi o vídeo da conversa entre o Príncipe William e Lady Gaga. Mas não são os únicos, e são vários os famosos que tomaram partido para lutar contra o estigma da doença mental.

Transtorno por estresse pós-traumático

Lady Gaga
Lady Gaga Getty

Segundo a Sociedade Espanhola de Psiquiatria (SEP), é definido como a angústia posterior a um processo traumático inesperado, que dura mais de seis semanas, e até mesmo meses ou anos. É o caso da própria Lady Gaga. A cantora escreveu uma carta como parte de suas ações para a campanha da Fundação ‘Born this way’, em que relatava que “lutei durante algum tempo sobre quando, como e se deveria revelar meu diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Depois de cinco anos de procura das respostas à minha dor crônica e à mudança que senti em meu cérebro, finalmente estou suficientemente bem para contá-lo. Existe uma boa dose de vergonha que acompanha a doença mental, mas é importante que se saiba que há esperança e uma oportunidade de recuperação”. Por sua vez, o Príncipe William insiste que é o estigma mais profundo para os homens. “Todos iremos passar por momentos difíceis em nossas vidas, mas os homens sentem especialmente a necessidade de fingir que tudo está bem, porque admitir isso a seus amigos pode fazer com que pareçam frágeis. Posso afirmar que isso na verdade é um sinal de força.”

Transtorno bipolar

Carrie Fisher.
Carrie Fisher. Getty

“Me sinto muito saudável em relação à minha loucura” —essa era uma das frases usadas por Carrie Fisher como brincadeira, com a intenção de normalizar seu diagnóstico de transtorno bipolar, doença que ajudou a tirar do armário. “Alguém com transtorno bipolar passa por mudanças severas de estado de espírito. Essas mudanças duram normalmente várias semanas ou meses e vão além do que a maioria de nós vivencia”, explicam representantes da Sociedade Espanhola de Psiquiatria. Outra das mulheres que ajudou a abrir a conversa em torno do transtorno bipolar é a atriz e cantora Demi Lovato que argumentou que “viver bem com o transtorno bipolar é possível, mas é preciso ter paciência, trabalhar e é um processo contínuo”.

Ansiedade e pânico

Ryan Reynolds.
Ryan Reynolds. Getty

O ator Ryan Reynolds comentou certa vez seus problemas com a ansiedade e até que a origem poderia estar em sua infância. “Nosso pai era duro, não era fácil. Acredito que a ansiedade pode ter começado ali, tentando encontrar formas de controlar os outros, tentando me controlar. Nesse momento, não percebi. Eu era só um menino nervoso.” Ellie Goulding também falou sobre seus ataques de pânico, explicou que “certas vezes não podia ir à escola a menos que estivesse deitada em um carro com uma almofada sobre o rosto. Costumava bater em mim mesma por isso.” Algo que corresponde à definição da SEP de ansiedade: “Um sentimento normal de temor que todos experimentamos quando deparamos com situações de ameaça ou difíceis. Pode nos ajudar a evitar situações perigosas, alertando-nos e motivando-nos a enfrentar os problemas. Mas se esses sentimentos de ansiedade são fortes demais, podem até nos impedir de fazer as coisas que queremos”.

Transtorno obsessivo-compulsivo

Lena Dunham.
Lena Dunham. Getty

Para entender essa doença, os psiquiatras relatam que “algumas pessoas têm pensamentos ou ideias que aparecem em sua mente mesmo que não queiram. Esses pensamentos com frequência parecem não ter sentido ou são desagradáveis; chamam-se obsessões. As compulsões são atos que as pessoas pensam que têm de fazer inclusive quando não querem”. Em relação a isso, Lena Dunham mostrou a realidade do TOC dentro e fora da tela, quando relatou que seus pais a colocaram em terapia quando diagnosticada com um surto de ansiedade, caracterizado por pensamentos intrusivos, ou seja, um transtorno compulsivo obsessivo. Não é a única: o jogador David Beckham também teve receio de afirmar que “sofro de uma desordem obsessiva-compulsiva que me obriga a colocar os objetos em linha reta ou em pares”.

Depressão

Kid Cudi.
Kid Cudi. Getty

“Todo mundo pode se sentir triste às vezes, mas se diz que alguém sofre depressão quando esses sentimentos não desaparecem rapidamente ou pioram tanto que interferem na vida diária”, afirmam os representantes da SEP. Em relação a essa patologia, no ano passado o cantor Kid Cudi escreveu um post sincero em seu Facebook, para explicar que “minha ansiedade e a depressão governaram minha vida durante todo o tempo de que me lembro e nunca saio de casa por isso. Não consigo fazer novos amigos por isso. Não confio em ninguém por isso e estou cansado. Mereço ter paz. Mereço ser feliz e sorrir”. Outro dos rostos conhecidos que se atreveu a expressar-se em torno de sua depressão é a modelo e atriz Cara Delavigne, que escreveu um tuíte de forma simples e direta. “Sofro de depressão e trabalhei como modelo durante um período bastante difícil de autodesprezo.”

Transtorno alimentares

Victoria Beckham.
Victoria Beckham. Getty

Zayn Malik, cantor do One Direction, declarou ter passado por problemas de alimentação, um transtorno que normalmente afeta as mulheres, mas de que os homens também sofrem. O cantor afirmou que poderia estar até dois ou três dias sem comer, “perdi tanto peso que fiquei doente. A carga de trabalho e o ritmo de vida, ao lado das pressões e tensões de tudo que acontece em uma banda, afetaram gravemente meus hábitos alimentares”. Assim, os representantes da SEP lembram que “muita gente jovem que não tem sobrepeso quer ser mais magra. Com frequência tentam perder peso fazendo dieta ou pulando refeições. Para alguns, as preocupações sobre o peso se tornam uma obsessão”. Outro personagem que também afirmou ter sofrido problemas alimentares foi Victoria Beckham, em sua biografia Learn to fly.

A importância das mensagens

Sobre este tema, o professor Julio Bobes, presidente da Sociedade Espanhola de Psiquiatria insiste que é preciso cuidado com as mensagens, já que “o exibicionismo social não é necessariamente terapêutico”, e por isso destaca como positivos aqueles que se concentram em “mostrar como pessoas que se destacam em alguma medida expliquem que, apesar desses problemas, são se viram limitadas, para mostrar que ter uma doença mental não lhes torna incapazes de se desenvolver.”

Em relação a se muitas vezes essa mensagem pode ser distorcida e se pensar que a fama está associada a esse mal-estar mental, Bobes afirma que “a fama não produz depressão”, já que de outra forma a incidência seria muito maior. No entanto, é possível afirmar que “haja uma má gestão do sucesso que pode produzir dificuldades psicológicas”. É por isso que a mensagem chave é explicar que as doenças mentais ocorrem em todos os ambientes sociais e que não devem ser uma limitação para se alcançar objetivos de vida.

De fato, como afirma o presidente da SEP, realmente existe um aumento dos diagnósticos das doenças mentais mais comuns, em suas formas mais leves e moderadas. A explicação, segundo o especialista, está em que “as pessoas vão com mais frequência consultar seu especialista, e há mais acesso, mais recursos e mais proximidade”, também em parte graças a que a divulgação das mesmas faz com que as pessoas procurem ajuda antes que sua patologia se agrave, o que também melhora os prognósticos.

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A hora da erva

Twitter – @Osmar Terra – Globo de ontem noticia que a ANVISA fora da lei e bem longe da ciência, está querendo legalizar a maconha no Brasil

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INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA É MÉTODO ADEQUADO PARA ENFRENTAR O PROBLEMA DA CRACOLÂNDIA? SIM

Internação compulsória é método adequado para enfrentar o problema da cracolândia? SIM

Folha de São Paulo – Tendências/Debates – Opinião

COMPAIXÃO OU OMISSÃO?

Um dos princípios preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é que cada cidadão deve receber cuidados de acordo com a sua necessidade. Pense em um paciente com uma doença crônica, como diabetes. Essa pessoa precisa de uma série de cuidados para o gerenciamento de sua enfermidade, como a utilização de insulina em certos casos ou controle de alimentação.

E se sua saúde piorar? Pode ser que ela tenha que ser inserida em outro nível assistencial: um hospital ou até uma UTI.

Nessa lógica encontra-se a dependência química, outra doença crônica em que, em determinadas ocasiões, apenas o tratamento ambulatorial não é suficiente para a melhora do paciente, sendo necessária a internação em locais especializados de tratamento, visando ampliar o acesso a uma linha de cuidados mais abrangente.

No entanto, a dependência química é uma doença com diversas particularidades. Nos casos mais graves, geralmente o usuário de drogas encontra-se vulnerável socialmente e em más condições de saúde.

Além disso, a desorganização mental em dependentes químicos com altos índices de consumo de drogas é imensa, fazendo com que suas funções cognitivas não estejam íntegras. Isso impacta a memória, atenção, capacidade de pensar e executar tarefas normalmente. Seu julgamento e poder de decisão são fortemente comprometidos.

É dever do médico buscar o melhor para o paciente, provendo assistência em saúde de qualidade.

Não utilizar todos os recursos de que o usuário necessita em sua assistência é, literalmente, uma omissão de socorro.

Por isso, sou defensor do cumprimento da lei nº 10.216, de 2001, que prevê que o médico pode decidir pela internação involuntária ou o juiz pode determinar uma internação compulsória de pacientes -em todo caso, apenas em casos extremos.

Para tal medida ocorrer, o dependente químico deve ser avaliado por uma equipe médica, que definirá o tratamento adequado.

Caso ele não queira a internação, mas seja constatado que não possui domínio sobre sua condição psicológica e física no momento, inclusive com risco à própria vida, um juiz pode determinar a internação nessas condições.

A família também pode solicitar a internação involuntária do usuário ao sistema de saúde, mediante concordância médica, ou pedir a compulsória à Justiça.

É importante frisar que a internação compulsória de dependentes químicos deve ser considerada o último recurso de reabilitação, dentre tantos outros disponíveis no tratamento oferecido aos usuários de drogas, inclusive pelo SUS.

Em São Paulo, o programa Recomeço estruturou uma linha de cuidados que prevê o atendimento mais simples, como o ambulatorial, e até internações e procedimentos terapêuticos de alta complexidade.

O programa conta com mais de 3.000 leitos em clínicas e comunidades terapêuticas no Estado -uma rede destinada para tratamento, desintoxicação e apoio social a usuários de drogas.

De 2013 a 2016, o Recomeço já fez 53.214 triagens e acolhimentos e viabilizou a desintoxicação hospitalar de 11.507 pacientes -8.904 voluntários, 2.580 involuntários e 23 compulsórios.

Assim, quando o dependente químico tem acesso à assistência com começo, meio e fim, composta de uma linha de atendimento com recursos ambulatoriais, de internação e reinserção social, a chance de sucesso no tratamento é infinitamente maior, raramente necessitando de internações forçadas.

RONALDO LARANJEIRA, psiquiatra, é coordenador do Recomeço, programa do Estado de São Paulo de enfrentamento ao crack e outras drogas

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Governo Federal doará R$ 25 Milhões para Programa na Cracolândia em SP

Governo federal doará R$ 25 milhões para programa na Cracolândia em SP

Recurso emergencial deverá ser usado no programa Redenção. Ministro Osmar Terra elogiou ações na Cracolândia.

Por Will Soares, G1 SP, São Paulo

Prefeito João Doria e ministro Osmar Terra fizeram anúncio de investimento no programa Redenção (Foto: Will Soares/G1)

Prefeitura de São Paulo vai receber uma ajuda emergencial de aproximadamente R$ 25 milhões, disponibilizada pelo governo federal, para o programa Redenção, que combate o problema da dependência química na cidade. O anúncio do auxílio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo prefeito João Doria e pelo ministro de Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra.

“O ministro, desde o início, foi solidário, nos ajudou no posicionamento, no planejamento e agora também na operacionalização, com a destinação destes recursos e o acompanhamento, ao longo dos próximos meses, podendo até ampliar este investimento para o programa Redenção”, afirmou Doria em entrevista coletiva realizada na sede da Prefeitura.

Durante seu discurso, o ministro Terra fez questão de elogiar o que chamou de “medidas corajosas que o prefeito vem tomando para resolver questões sociais”, referindo-se às ações promovidas pela gestão Doria na região da Cracolândia, no Centro da capital paulista.

Ação policial na Cracolândia em maio fez com que moradores deixassem o quadrilátero formado pela Rua Helvétia, Avenida Duque de Caxias e as alamedas Barão de Piracicaba e Cleveland e migrassem para a Praça Princesa Isabel. Também foi feita a demolição de imóveis com o objetivo de revitalizar o bairro da Luz e, nesta quinta-feira, começaram os atendimentos em contêineres a usuários de drogas da região.

Internação compulsória

O ministro Osmar Terra se mostrou a favor inclusive da possibilidade de internar compulsoriamente usuários de drogas. Segundo ele, a medida é importante para iniciar um tratamento. “A melhor maneira para você convencer uma pessoa a se tratar ou deixar de usar uma determinada droga é quando ela está desintoxicada. Quando a confusão mental dela diminui. Ela intoxicada está com uma confusão mental importante”, explicou.

“Ninguém sacrifica família, filhos, abandona todo mundo para ficar usando uma pedra por livre arbítrio. No começo, ela pode decidir o início de usar. Depois, é a pedra quem decide. É o poder da pedra que controla a vida dela. Então, ela de alguma maneira precisa passar por um período de desintoxicação, fora da fase aguda, para poder raciocinar”, completou o ministro.

O secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará, comemorou o aporte financeiro dado pelo governo Temer e informou que os recursos serão destinados para a compra e manutenção de equipamentos e serviços. “Neste momento de trabalho com os dependentes químicos vem a calhar muito bem essa ajuda”, disse ele.

Reajuste e confusão de Doria

Além dos cerca de R$ 25 milhões prometidos, a pasta chefiada por Sabará deve ver seu orçamento alavancado já a partir de julho. Em paralelo ao auxílio emergencial, o governo federal vai conceder um reajuste de 45% no valor que já é repassado anualmente ao município. O reajuste, também equivalente a R$ 25 milhões, não é exclusividade da capital paulista e será concedido a todas as cidades brasileiras.

Doria chegou a dizer mais de uma vez durante a coletiva de imprensa que o auxílio emergencial concedido pelo governo federal seria de R$ 50 milhões. O valor, no entanto, é aproximadamente metade disto, conforme explicou a equipe do Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social posteriormente. O prefeito estava incluindo como parte do “aporte especial” o reajuste que, na verdade, será um direito de todos os municípios.

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ABP Debate projeto de lei sobre a “Semana Nacional de Luta e Conscientização sobre a Depressão” na Câmara Legislativa Federal

ABP debate projeto de lei sobre a “Semana Nacional de Luta e Conscientização sobre a Depressão” na Câmara Legislativa Federal

ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria)

Mais uma vez, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP esteve representando os interesses da sociedade no Congresso Nacional. Na última quinta-feira, 08 de junho, a ABP participou da audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família que discutiu o Projeto de Lei (PL) nº 1938 de 2015, que institui a “Semana Nacional de Luta e Conscientização sobre a Depressão”, de autoria do deputado Paulo Foletto (PSB/ES).

O PL 19838/15 baseia a importância do tema em levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde – OMS, que aponta um crescimento de 20% dos casos de depressão na última década em todo o mundo. Estiveram presentes na audiência o superintendente técnico e diretor tesoureiro da ABP, o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, a senhora Rosane Lorena Granzotto, representante do Conselho Federal de Psicologia – CFP e o psiquiatra Quirino Cordeiro Junior, Coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde.

A sessão foi presidida pelo deputado federal Flavinho (PSB/SP), requerente da audiência pública, que enfatizou a importância da audiência pública declarando o seu interesse em fazer a pauta avançar na casa: “este é um tema importante para todos nós, não apenas para a sociedade brasileira, mas para pessoas ao redor do mundo inteiro. Os números apontam a necessidade da discussão, do debate e, principalmente, da busca de soluções concretas para este que já foi chamado o ‘mal do século’ ou quiçá do milênio”.

Na ocasião, a representante do CFP, Rosane Granzotto, falou em nome da entidade: “o Conselho Federal de Psicologia considera pertinente ações que promovam o cuidado à saúde mental, desde as atividades dedicadas à prevenção até as estratégias de tratamento humanizadas e éticas. O projeto em questão nos parece apropriado para este momento em que vemos o avanço dos casos de depressão e suicídio”.

Ainda em sua fala, a psicóloga ressaltou a importância das ações preventivas no que concerne à assistência em saúde mental. “Temos que pensar em termos mais amplos. Precisamos de ações políticas voltadas à garantia da prevenção e assistência em saúde mental. Salientamos a necessidade de priorizar a prevenção em saúde mental através do fortalecimento das políticas públicas”, explicou, colocando o CFP à disposição para o que for necessário, mas ressaltando que as ações vindouras serão resultados do empenho do Ministério da Saúde

 

 

 

 

 

 

O psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, após apresentar dados sobre a prevalência da depressão no Brasil e no mundo, bem como sua relação com o ambiente de trabalho, destacou a necessidade de um trabalho multidisciplinar. “Se faz necessário o tratamento multiprofissional. Não é uma necessidade de todos os pacientes que nos procuram, mas em todo momento há intercessão – seja com as diversas áreas da medicina, através do diagnóstico diferencial, ou com as várias áreas fora dela”, afirma o superintendente técnico e diretor tesoureiro da ABP.

O Dr. Antônio Geraldo também explicou aos presentes a relação entre a depressão e suicídio: “em estudo da OMS, cerca de 96,8% das pessoas que morreram por suicídio tinham algum transtorno mental, entre eles a depressão. Precisamos reconhecer que a depressão existe, é grave e precisa de cuidado”.

Em sua fala, o Coordenador Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Quirino Cordeiro Junior, colocou a pasta à disposição dos assuntos relacionados à saúde mental: “o Ministério da Saúde apoia integralmente esta iniciativa e parabeniza a comissão pode essa tão importante ação na área da saúde mental. Parabenizo a comissão pela iniciativa e aos colegas pela disponibilidade de vir aqui conversar sobre o tema”.

Presente na plenária, o deputado Darcísio Perondi (PMDB/RJ) declarou que esta é uma “audiência inovadora, arrojada e excepcional. Precisa agora um envolvimento mais focado do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais. Com o apoio do parlamento, podemos fortalecer ainda mais. O suicídio precisa ser sim focado e com força”. A audiência também contou com a presença do presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes Mentais – AFDM/RN, Sid Marques Fonseca.

Clique no vídeo abaixo e assista à audiência pública na íntegra.

http://www.abp.org.br/portal/abp-debate-projeto-de-lei-sobre-a-semana-nacional-de-luta-e-conscientizacao-sobre-a-depressao-na-camara-legislativa-federal/

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Adolescentes Aprisionados

Adolescentes aprisionados

Estado precisa ter cuidado especial ao punir jovens, porque chances de reabilitação são muito maiores

EL PAÍS – César Muñoz Acebes*

(Celas no Ceará, onde jovens só podem sair se receberem visitas)

Quando um adolescente comete o erro de infringir a lei, o Estado precisa ter um cuidado especial na hora de puni-lo, por pura e simples humanidade, mas também porque as chances de reabilitação são muito maiores quando o infrator é tão jovem. As leis brasileiras, de fato, preveem de forma cuidadosa as medidas aplicáveis a jovens que cometem atos infracionais. No entanto, essas leis são frequentemente ignoradas, e os resultados disso podem ser fatais.

Dois adolescentes foram assassinados no dia 5 de junho em Pernambuco num centro socioeducativo com capacidade para 98 jovens, mas que abrigava 174. Segundo o Conselho Nacional de Direitos Humanos, 44 adolescentes internados foram assassinados em Pernambuco desde 2012.

No estado da Paraíba, no dia 3 de junho, cinco adolescentes em uma unidade que abrigava cinco vezes mais jovens do que sua capacidade morreram em um quarto após este ter sido incendiado por outros jovens. Outros dois adolescentes foram espancados até a morte no pátio.

Foram nove adolescentes mortos em um espaço de dois dias.

Em outubro, entrevistei adolescentes no estado do Ceará que só podiam sair de seus “dormitórios” – celas, na verdade –se recebessem visitas. Eles até mesmo comiam dentro dos quartos, e não tinham absolutamente nenhuma das atividades educacionais ou recreacionais previstas em lei. O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, o Cedeca Ceará – uma ONG local –, e a Human Rights Watch documentaram dezenas de casos de maus-tratos e torturas de adolescentes cometidos pela polícia ou por funcionários dos centros socioeducativos nos últimos dois anos. Até onde foi possível investigar, ninguém foi processado criminalmente por esses abusos.

De acordo com relatórios enviados pela Defensoria Pública de São Paulo em 2015 e 2016 à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em um centro socioeducativo desse estado, funcionários rotineiramente agrediam adolescentes e os mantinham isolados,. A Comissão concluiu que nenhum servidor foi punido pelos abusos, e menos ainda processado criminalmente.

Em uma nota , publicada após as mortes do dia 3 de junho na Paraíba, 35 juízes de varas da Infância e da Juventude do estado afirmaram que a tragédia foi resultado “do total descaso” do estado para com os adolescentes. O governo estadual respondeu à nota responsabilizando os juízes, que, segundo afirmou o governo, têm “dezenas” de pedidos de liberação ainda não analisados, incluindo casos de adolescentes que ultrapassaram o tempo legal de internação, que é de três anos.

Tanto o governo do estado como os juízes estão se comportando irresponsavelmente.

O estado fracassou em sua obrigação de proteger os adolescentes sob sua custódia, e os juízes mantêm a internação de adolescentes que não deveriam estar privados de liberdade. A própria nota dos juízes afirma que alguns deles estão internados por infrações não violentas, como furto ou tráfico de drogas.

As leis brasileiras e internacionais afirmam que a privação de liberdade de adolescentes deve ser uma medida excepcional. Conforme as leis brasileiras, adolescentes podem ser internados apenas caso cometam atos infracionais “mediante grave ameaça ou violência a pessoa”, caso cometam outras infrações graves ou descumpram reiteradamente medidas socioeducativas anteriores. O Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que um ato infracional análogo ao tráfico de drogas não justifica, por si só, a internação de adolescentes.

As autoridades têm o direito de investigar e promover a responsabilização pelas violações da lei, inclusive aquelas perpetradas por adolescentes. Mas a lei brasileira prevê uma série de outras medidas além da internação, desde advertências até a inserção em regime de semi-liberdade – no qual adolescentes participam de atividades fora da unidade durante o dia. Estudos nos Estados Unidos indicam que programas que promovem a inserção na comunidade são mais efetivos na redução da reincidência – e, portanto, na redução do crime – do que instalações fechadas como aquelas chamadas eufemisticamente no Brasil de unidades “socioeducativas”.

O Congresso deveria agir em defesa dos adolescentes com propostas para resolver esses problemas, mas, em vez disso, está trabalhando em leis que apenas os agravariam, como a proposta que prevê o aumento do tempo máximo de internação de adolescentes para até 10 anos.

Seriam 10 anos trancafiados em unidades onde adolescentes poderiam não ter acesso à educação, serem recrutados por facções criminosas e correrem sérios riscos de maus-tratos e morte. E, no entanto, esses adolescentes supostamente deveriam sair ressocializados desses centros.

A reforma que o sistema socioeducativo precisa consiste em simplesmente fazer com que as autoridades cumpram a lei – e processem criminalmente os responsáveis por abusos – para que os adolescentes tenham uma chance real de mudar de vida.

César Muñoz Acebes é o pesquisador sênior para o Brasil da Human Rights Watch

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