Fumar saiu de moda

Folha – UOL – Dr. Drauzio Varella

Minha geração está sendo dizimada pelo cigarro.

Há 50 anos, fumar era considerado uma espécie de rito de passagem para a vida adulta. A indústria do fumo criou esse mito por meio de investimentos milionários numa publicidade criminosa, onipresente no rádio, na televisão, nos jornais, nas revistas e nos outdoors espalhados por todas as cidades.

Dirigidos às crianças e aos adolescentes, os comerciais apresentavam homens bonitos cercados de mulheres maravilhosas, machões que cavalgavam pelas montanhas, surfistas em ondas gigantescas e pilotos de corrida, que no final acendiam um cigarro da marca do fabricante.

Nos anos 1960, a indústria percebeu que poderia duplicar as dimensões do mercado consumidor caso as mulheres também se tornassem dependentes de nicotina.

Lançaram, então, os cigarros de “baixos teores”, mais perniciosos até, porém mais palatáveis ao gosto feminino. Vieram apoiados por um bombardeio publicitário que associava o fumo ao charme e à liberdade que as meninas começavam a adquirir, graças ao acesso à universidade, à pílula anticoncepcional e à possibilidade de viver numa sociedade menos machista.

Nos anos 1990, comecei a tratar casos de câncer em amigos da adolescência. Quase todos eram homens, e fumavam havia 20 ou 30 anos. Na virada do século, chegou a vez das mulheres.

Perdi a conta de quantas amigas e amigos morreram de câncer, ataques cardíacos, derrames cerebrais, doenças pulmonares –e dos que ainda estão vivos, mas limitados por enfermidades respiratórias que lhes tiram o fôlego e a liberdade para andar até a esquina.

Caso pertença ao sexo masculino, o fumante vive doze anos menos. Dez anos menos, se for mulher. Se jogar fora dez dias de vida é desperdício inaceitável, o que dizer de partir desta para o nada uma década mais cedo do que deveria?

Mais brasileiros morrem por causa do fumo do que pela somatória das doenças infecciosas. São 200 mil óbitos por ano.

O último levantamento do Ministério da Saúde, no entanto, traz esperança de que essa realidade mudará: nos últimos dez anos, um em cada três brasileiros deixou de fumar.

Cerca de 25% dos homens e 17% das mulheres se declaram ex-fumantes, indicação de que elas têm mais dificuldade de parar, como vários estudos epidemiológicos demonstram.

A consciência de que adultos e crianças expostos à fumaça do cigarro alheio também são fumantes está mais clara. De 2008 a 2013, o número de não fumantes expostos ao fumo passivo em suas residências caiu 61%.

De acordo com o ministério, o aumento dos impostos cobrados sobre cada maço colaborou para a queda do número de fumantes, fenômeno comprovado em todos os países. Segundo pesquisa do Inca (Instituto Nacional do Câncer), 62% dos fumantes pensaram em largar o cigarro por causa dos preços no Brasil.

Em contrapartida, o consumo de cigarros contrabandeados cresceu. Cerca de um quarto dos fumantes compra seus maços abaixo do preço mínimo legal.

O nível de escolaridade da população tem impacto discutível na disseminação da epidemia: nas capitais do Norte e do Nordeste, a prevalência é mais baixa do que nas do Sul e do Sudeste. Em São Luís, há 5,5% de fumantes, contra 14,1% em São Paulo e 16,4% em Porto Alegre.

O dado mais importante da pesquisa é o da queda expressiva e continuada do número de fumantes. Nos anos 1960, pelo menos 60% dos maiores de 15 anos fumavam; hoje, são 10,8%.

Apesar dos bilhões de dólares investidos pelos Estados Unidos em campanhas contra o cigarro, cerca de 18% dos americanos ainda fumam.

No Brasil de hoje, fumamos menos do que em todos os países da Europa. Alemanha, Inglaterra, Áustria, Noruega, Dinamarca, Itália e outros países com níveis de escolaridade, renda per capita e organização social bem superiores aos nossos, fumam mais do que nós.

Como explicar?

Aumento da taxação, proibição da publicidade, as figuras horríveis impressas nos maços, o combate ao fumo passivo em ambientes públicos, combinados aos programas educativos nas escolas e às advertências médicas, foram medidas implantadas nos países desenvolvidos muito antes e de forma muito mais abrangente do que no Brasil.

Talvez o que nos diferencie seja o impacto das campanhas contra o cigarro levadas, pela televisão, aos quatro cantos do país.

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Videoconferência: “Panorama das Políticas sobre drogas no Estado de São Paulo”.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) de São Paulo, por meio da Escola de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (Edesp), em parceria com o Programa Recomeço e a Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) convidam para a videoconferência “Panorama das Políticas sobre drogas no Estado de São Paulo”.

A videoconferência proposta, pretende oferecer uma capacitação inovadora com base na educação permanente e em aprendizagens significativas tendo como foco a orientação dos profissionais da rede de atendimento socioassistencial sobre seu papel como agente executor das políticas sobre drogas, praticadas no Estado de São Paulo.

A videoconferência será conduzida por especialistas na temática, com transmissão, que ocorrerá a partir de um estúdio localizado na capital do Estado. Os participantes desenvolverão as atividades nos ambientes do programa Tecnologia para a Rede de Escolas de Governo (TecReg) do Estado de São Paulo em aproximadamente 26 regiões do Estado. Com carga horária de 8 horas, a videoconferência é dirigida aos profissionais das áreas que atuam nas políticas sobre drogas nos 645 municípios do Estado de São Paulo. A transmissão será feita via polo, e os inscritos que tiverem presentes nestes polos, poderão interagir com os especialistas e também com o Secretário Floriano Pesaro.

Participem! Vagas limitadas!

“Panorama das Políticas sobre drogas no Estado de São Paulo”

Período de inscrições: de 22/06/2015 a 10/07/2015, no Portal Edesp (
http://edesp.sp.gov.br/edesp2014/calendario/programa-recomeco/).

Transmissão via Polo:  dia 15/07/2015 das 9h às 17h.

Link de Inscrição:
http://edesp.sp.gov.br/inscricao/panorama_das_politicas/index.htm (copie-o e cole-o no seu navegador).

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Atenciosamente,

Equipe EDESP
Escola de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo
Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo

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Demora para exames prejudica o tratamento de dependentes químicos

De acordo com programa contra as drogas de Campinas, 40% desistem.
Recomeço tem 118 vagas para internações abertas; burocracia prejudica.

Do G1 Campinas e Região

A demora de até meses para os dependentes químicos  conseguirem realizar exames preliminares na rede pública em Campinas (SP) tem inviabilizado a internação de quatro em cada dez pacientes que procuram o Programa de Prevenção às drogas, que tem 118 vagas abertas para atendimento no Programa Recomeço.

Antes da internação, os dependentes de drogas e álcool precisam realizar testes de HIV, parasitologia e tuberculose, por exemplo. Esta exigência é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o coordenador do programa, Nelson Hossri, quando demora muito para os exames, os pacientes desistem do tratamento.  “Como a saúde pública tem problemas para realizar os exames que são necessários para a internação, ele[dependente] acaba desistindo do tratamento”, explica o coordenador do programa.  Em alguns casos, faltam até materiais nos postos como potes para coleta de fezes.

“Fui procurar a consulta para meu irmão e eles agendaram para dois meses. Paguei um médico particular, mas o médico me disse que não dá esta carta que precisa”, informa a irmã de um dependente de bebida que após dez anos decidiu se tratar.

Programa de prevenção às drogas tem problemas em Campinas  (Foto: Reprodução EPTV)
Programa de prevenção às drogas tem
problemas em Campinas (Foto: Reprodução EPTV)

Ainda segundo Hossri, a ideia é criar um protocolo para que os dependentes tenham prioridade.  Nestes exames os pacientes acabam também descobrindo problemas que desconhecem, como pneumonias que atrapalham o início do tratamento junto a outros dependentes.

O coordenador do Recomeço disse que em algumas unidades médicas os exames são feitos em 10 dias. “Em outros demoram meses”, finaliza ele.

A Secretaria de Saúde informou que não foi notificada pela Secretaria de Assistência sobre a demora no atendimento na rede para quem quer utilizar o Programa Recomeço. Ainda segundo o Poder Público, os pacientes estão sendo avaliados dentro do prazo. Sobre a falta de pote para exames, a administração disse que foi um problema pontual.

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RS vai testar aparelho que identifica uso de drogas por motoristas

Novo aparelho funciona como bafômetro e identifica uso de droga na hora.
Equipamento será aliado da Polícia Rodoviária e de agentes de fiscalização.

Do G1 RS

O Rio Grande do Sul vai testar um aparelho que mostra na hora se eles consumiram diversos tipos de drogas, como cocaína, maconha, heroína, anfetaminas, metanfetaminas e tranquilizantes. O equipamento deverá ser um aliado da Polícia Rodoviária e dos agentes de fiscalização de trânsito, como mostra a reportagem do RBS Notícias, da RBS TV.

DDS-2 será usado no RS para avaliar o uso de drogas por parte de motoristas (Foto: Divulgação/Alere)
DDS-2 será usado no RS para avaliar o uso de drogas (Foto: Divulgação/Alere)

A novidade foi um dos assuntos de um encontro organizado pelo Instituto Crack Nem Pensar nesta sexta-feira (26) em Porto Alegre, no Dia Internacional de Luta contra o Tráfico e Uso de Drogas. O novo aparelho funciona como um bafômetro e identifica na hora a presença da droga.

“A ideia é que se possa ter algum tipo de instrumento que reflita imediatamente a condição do motorista para outras drogas que não apenas o álcool”, diz o professor e diretor do Centro de Álcool e Drogas (Cpad) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Flávio Pechansky.

A instituição ainda não pode estimar uma data para o início do uso, já que questões de logística e de método ainda precisam ser estudadas. Entretanto, é provável que o equipamento entre em fase de testes no trânsito até o final deste ano.

Segundo o Cpad, o aparelho DDS-2,  fabricado  pela  empresa  Alere,  se assemelha  a  uma  máquina  leitora  de  cartão  de  crédito. O motorista abordado deverá inserir uma espécie de tubo na boca para reter uma amostra de sua saliva. O objeto posteriormente será colocado em um cartucho que será acoplado ao equipamnento. A saliva então sofrerá uma reação química dentro do aparelho, que após alguns minutos fornecerá o resultado na tela.

Segundo especialistas, para evitar que o motorista chegue a esse ponto, a educação deve começar em casa.

“Os nossos filhos não aprendem a dirigir com 18 anos em um Centro de Formação de Condutores, eles aprendem pelo exemplo dos pais. E isso não só na direção. Então, não adianta dizer para um filho não correr, não beber, se um pai às vezes no meio de uma viagem para o carro para almoçar e pede uma cervejinha. Então tem que dar o exemplo. Um exemplo  vale mais do que mil palavras”, diz a presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga.

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Maconha e Álcool

por Pe.  Haroldo J. Rahm, SJ

O Papa Francisco fala: “Quando alguém está realmente em busca da verdade está fazendo isso pelo bem. Você não procura pela verdade para dividir, confrontar, atacar, menosprezar ou dissolver”.

Vamos procurar a verdade sobre a maconha e o álcool.

A planta de cânhamo (também conhecida como “cannabis”, da qual se elabora amaconha e o haxixe) foi cultivada para o usocomo alucinógeno há mais de 2.000 anos.

O THC éa principal substância que afeta a mente.Sua quantidade na planta indica a potência da droga, que é determinada pelo clima, pela terra e por outros fatores,como o uso de modernas técnicas de agricultura.

Pesquisas mostram que mais de 60% das pessoas adictas em recuperação que já estiveram no “fundo do poço” pelo uso de drogas começaram com maconha, álcool e cigarros. A maconha hoje é 10 vezes mais forte do que era na adolescência do ex-presidenteFernando Henrique Cardoso. Contém mais de 400 toxinas e componentes químicos, incluindo as mesmas substâncias causadoras de câncer encontradas no tabaco, com a agravante de o usuário inalar profundamente e segurar a fumaça nos pulmõespara supostamente aumentar o efeito da droga, destruindo-os e danificando também o sistema imunológico.

O álcool é eliminado do corpo em poucas horas.O THC permanece na gordura do corpo de semanas a meses, dependendo do tempo e da intensidade do uso. Alguns médicos afirmam que as drogas permanecem na gordura por 03 anos.

Os danos causados pelo usoda maconha são tão prejudiciais quanto os causados pelo uso doálcool e é preciso que os usuários estejam conscientes desses danos. Não podemos deixar o Governo legalizá-la!

Se um navio errar sua rota poderá chegar ao continente errado. Foi o caso de Cabral.

Foco é o que nos permite atingir nosso alvo, mantendo-nos firmes em nossa rota. Para isso, precisamos conhecê-lo bem e nos concentrarmos firmemente nele.

Nosso foco é: um mundo sem drogas!

“Senhor, ajuda-me a ser grato todos os dias pelas muitas bênçãos recebidas por estar limpo e sóbrio e, em especial, pela bênção de simplesmente estar sóbrio e limpo.”

Haroldo J. Rahm, SJ

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Movimento aponta prevenção e tratamento como alternativas à legalização das drogas

Iniciativa liderada pela FEAE lança manifesto com princípios para elaboração de políticas antidrogas

Um movimento em busca de uma política antidrogas moderna, humana e baseada em evidências científicas. Assim podemos definir a União das Famílias pela Prevenção e Tratamento ao Uso de Drogas. A iniciativa, liderada pela Federação Brasileira de Amor Exigente (FEAE), conta com o apoio de diversas instituições e profissionais de saúde, buscando conscientizar a todos sobre os efeitos da descriminalização e da legalização das drogas no Brasil.

Nos próximos meses, o Supremo Tribunal Federal deverá votar uma ação que descriminaliza o consumo de drogas no país. Os magistrados analisarão a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei Antidrogas e se o consumo continuará sendo considerado crime. Apesar de descriminalização não significar a legalização das drogas, a medida pode abrir um precedente preocupante.

“Hoje existe um forte lobby em busca da descriminalização, que tem como base estratégias usadas em outros países: após descriminar o uso, será a vez do pequeno tráfico, em seguida se legaliza a maconha para uso medicinal e recreativo, para finalmente buscar a legalização de mais drogas”, explica Miguel Tortorelli, Vice-Presidente da FEAE.

A simples descriminalização das drogas pode agravar um quadro de problemas sociais e de saúde pública no Brasil, onde o consumo de drogas vem aumentando consideravelmente. Segundo relatório do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, entre 2005 e 2011, o consumo de cocaína no país avançou de 0,7% para 1,75% da população na faixa etária entre 12 e 65 anos. Isso corresponde a uma adesão ao uso problemático e à dependência quatro vezes superior à média mundial e 25% maior que a média da América do Sul.

O uso de drogas, porém, é um mal que não afeta somente os usuários. “As consequências sociais e econômicas vão muito além. Dados da Universidade Federal de São Paulo indicam que no âmbito familiar, para cada dependente de drogas existem, em média, mais quatro pessoas afetadas, comprometendo, de diversas formas, quase 30 milhões de brasileiros”, diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra especialista em dependência química e presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

Legalizar? Punir? Não, uma “terceira via”

Um dos principais objetivos da União das Famílias pela Prevenção e Tratamento ao Uso de Drogas é quebrar o radicalismo e a polarização no debate sobre as melhores políticas para o controle das drogas ilícitas. “Nenhuma das abordagens, da descriminalização, legalização ou da repreensão pura e simples, se baseia nas melhores evidências científicas disponíveis, ou são suficientemente efetivas. O que propomos é uma ‘terceira via’, baseada em evidências científicas e focada na prevenção e no tratamento”, afirma Tortorelli.

Desta forma, o movimento sugere, em seu manifesto, os princípios para uma boa política antidrogas, além de defender ações imediatas, como orientações sobre prevenção ao uso de substâncias, violência, gravidez precoce, etc., como parte do currículo escolar. Sugere também que todas as famílias que tiverem um dos seus membros usando substâncias psicoativas devem receber orientações sobre como lidar com a drogadição, sendo disponibilizada toda e qualquer forma de tratamento necessária para resolver o problema.

“Antes de qualquer alteração na lei, precisamos educar e conscientizar a população, esclarecendo-a sobre o assunto, além de proporcionar atendimento de qualidade. Isso criará uma mudança social e cultural no país. Apenas quando essas ações estiverem consolidadas é que podemos admitir mudanças em nossa legislação”, conclui Laranjeira.

Clique aqui para ler a íntegra do Manifesto – A alternativa à legalização

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Relatório Mundial sobre Drogas de 2015, o uso de drogas é estável, mas o acesso ao tratamento da dependência e do HIV ainda é baixo

UNODC – https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2015/06/relatorio-mundial-sobre-drogas-de-2015–o-uso-de-drogas-e-estavel–mas-o-acesso-ao-tratamento-da-dependencia-e-do-hiv-ainda-e-baixo.html

O Diretor Executivo do UNODC diz que o número de mortes, em todo o mundo, relacionadas à droga é inaceitável; o cultivo global de ópio aumentou desde o final da década de 1930

Viena, 26 de junho de 2015 – A prevalência do uso de drogas continua estável em todo o mundo, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Estima-se que um total de 246 milhões de pessoas – um pouco mais do que 5% da população mundial com idade entre 15 e 64 anos – tenha feito uso de drogas ilícitas em 2013. Cerca de 27 milhões de pessoas fazem uso problemático de drogas, das quais quase a metade são pessoas que usam drogas injetáveis (PUDI). Estima-se que 1,65 milhão de pessoas que injetam drogas estavam vivendo com HIV em 2013. Homens são três vezes mais propensos ao uso de maconha, cocaína e anfetamina, enquanto que as mulheres são mais propensas a usar incorretamente opióides de prescrição e tranquilizantes.

Discursando sobre o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, o Diretor Executivo do UNODC, Yury Fedotov, observou que, embora o uso de drogas esteja estável no mundo, apenas uma de cada seis pessoas que fazem uso problemático de drogas tem acesso ao tratamento. “Mulheres, em particular, parecem enfrentar mais barreiras para ter acesso ao tratamento – enquanto, mundialmente, um em cada três usuários de drogas é mulher, apenas um em cada cinco usuários de drogas em tratamento é mulher”. Além disso, Sr. Fedotov declarou que é necessário trabalhar mais para promover a importância de se entender e abordar a depêndencia como uma condição crônica de saúde a qual, assim como diabetes ou hipertensão, requer tratamento e cuidados sustentados a longo prazo. “Não existe um remédio rápido e simples para o uso problemático de drogas e nós precisamos investir, a longo prazo, em soluções médicas baseadas em evidências”.

O uso de drogas e seu impacto na saúde

Um número estável, mas ainda inaceitalvemente alto, de usuários de drogas continua a perder suas vidas prematuramente em todo o mundo, diz o Diretor do UNODC, que estima um total de 187,100 mortes relacionadas com as drogas em 2013. O Relatório Mundial sobre Drogas inclui dados – levantados em conjunto com o UNAIDS, a OMS e o Banco Mundial – sobre a prevalência do HIV entre PUDI. Em alguns países, mulheres que injetam drogas são mais vulneráveis à infecções por  HIV do que os homens, e a prevalência do HIV pode ser maior entre as mulheres que injetam drogas do que entre suas contrapartes masculinas. O número de novas infecções por HIV entre PUDI diminuiu aproximadamente 10% entre 2010 e 2013: de uma estimativa de 110,000 para 98,000. Entretanto, o Relatório Mundial sobre Drogas também indica que muitos fatores de risco, incluindo a transmissão de doenças infecciosas como o HIV e a hepatite C e a incidência de overdose por drogas, fazem com que o índice de mortes entre PUDI seja 15 vezes maior do que no resto da população.

Enquanto os dados indicam que o uso de opiódes (heroína e ópio) continua estável a nível mundial e que o uso de cocaína diminuiu globalmente, o uso de maconha e o uso não medicinal de opióides farmacêuticos continuam a crescer. Evidências sugerem que mais pessoas estão sofrendo  consequências decorrentes do uso da maconha, e que a maconha pode estar se tornando mais prejudicial, como refletido pela alta proporção de pessoas procurando tratamento pela primeira vez em várias regiões do mundo. A demanda por tratamento também aumentou para tipos de estimulantes baseados em anfetamina (ATS, na sigla em inglês) – incluindo metanfetamina e MDMA ou “Ecstasy” – e para novas substâncias psicoativas (NSP), também conhecidas como “drogas legais”.

Fornecimento e mercados de drogas ilegais

Em torno de 32.4 milhões de pessoas – ou 0.7% da população adulta do mundo – usam  opióides farmacêuticos e opiáceos como a heroína e o ópio. Em 2014, o potencial de produção mundial de ópio alcançou 7,554 toneladas – o segundo maior nível desde a década de 1930, principalmente, devido ao aumento significativo do cultivo no Afeganistão, o principal país produtor. A apreensão global de heroína, por sua vez, aumentou em 8%, enquanto a apreensão de morfina ilícita diminuiu em 26% de 2012 a 2013.

Enquanto o tráfico marítmo não é a prática mais amplamente utilizada para o contrabando de drogas, operações de aplicação da lei no mar tem potencialmente apresentado o melhor impacto uma vez que a média de volumes apreendidos é proporcionalmente maior. No período de 2009 a 2014, por exemplo, a média para cada apreensão pelo mar foi de 365Kg, enquanto por terra (em rodovias e ferrovias) foi de 107Kg e por ar de 10Kg. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 também observa uma mudança na dinâmica das rotas usadas para contrabando de opiácios, com a heroína afegã alcançando novos mercados. Apreensões recentes sugerem que, talvez, tenha se tornado mais comum para grandes carregamentos da heroína afegã serem contrabandeados através do Oceano Índico para o leste e o sul africano. Países africanos ocidentais continuam a servir de transbordo para o contrabando de cocaína através do Atlântico para a Europa, e países do leste europeu estão emergindo como uma área de trânsito e como um destino dessa droga.

O Relatório Mundial sobre Drogas desse ano indica que o cultivo da planta de coca continuou a diminuir em 2013, alcançado o menor nível desde 1990. Com a prevalência de 0.4% na população adulta global, o uso de cocaína continua alto na Europa ocidental e central, na América do Norte e na Oceania (Austrália), ainda que dados recentes demonstrem uma tendência global de declíneo. O uso da maconha está crescendo e continua alto na África ocidental e central, na Europa ocidental e central, na Oceania, e na América do Norte. Dados de 2013 demonstram um aumento na quantidade de ervas de maconha e resina de maconha apreendidas em todo o mundo, alcançando 5,764 e 1,416 toneladas respectivamente.

A metanfetamina domina o mercado global de drogas sintéticas, e está se expandindo no Leste e no Leste-sul da Ásia. O uso de metanfetamina cristal está aumentando em partes da América do Norte e da Europa. Apreensões de ATS desde 2009 – as quais quase dobraram para alcançar mais de 144 toneladas em 2011 e 2012, e continuaram em um alto nível em 2013 – também apontaram para uma rápida expansão no mercado global. Por volta de dezembro de 2014, um total de 541 novas substâncias psicoativas as quais provocam impactos negativos a saúde tem sido  relatadas por 95 países e território – um aumento de 20% comparado à cifra de 450 dos anos anteriores.

Desenvolvimento alternativo como uma estratégia a longo prazo contra cultivos ilícitos

O foco temático do Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 é o Desenvolvimento Alternativo, uma estratégia a longo prazo que visa desenvolver fontes alternativas de renda para camponeses que dependem do cultivo de drogas ilícitas. Essa atividade é impulsionada por vários fatores, incluindo a marginalização, a falta de segurança, e a situação política e social das comunidades rurais. O Desenvolvimento Alternativo visa reduzir essas vulnerabilidades e, enfim, eliminar o cultivo de drogas ilícitas. Mais de 40 anos de experiência tem demonstrado que essa abordagem funciona quando existe uma visão a longo prazo, financiamento adequado, e suporte político para integrar o tema em um desenvolvimento mais amplo e na agenda de governança. A comercialização de produtos lícitos, a posse de terra e o gerenciamento e uso sustentável da terra são cruciais para o sucesso a longo prazo das intervenções do Desenvolvimento Alternativo.

 “Infelizmente, o Relatório Mundial sobre Drogas desse ano também demonstra que o suporte político amplamente difundido para o Desenvolvimento Alternativo não tem sido seguido pelo suporte financeiro”, acrescenta o Sr. Fedotov enquanto pede para que a responsabilidade quanto às drogas ilícitas seja compartilhada. O financiamento proveniente dos países da OCDE para apoiar o Desenvolvimento Alternativo diminuiu em torno de 71% entre 2009 e 2013, totalizando apenas 0,1% da assistência para o desenvolvimento global. O Diretor Executivo do UNODC observou que na direção da Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU do próximo ano sobre o problema das drogas, a Agenda de Desenvolvimento pós-2015 da comunidade internacional pode ajudar a promover esforços de Desenvolvimento Alternativo, o qual amplia intervenções com relação a oferta e a demanda de drogas.

Saiba Mais

Relatório Mundial sobre Drogas (em inglês)

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