Avanço do crack: pontos de consumo aumentam

O Globo

Divididos em pequenos grupos, usuários fabricam a própria droga e se espalham pelas ruas

Gustavo Carvalho

Uma realidade que faz parte do cotidiano das comunidades há aproximadamente dez anos começa a ser exposta nas ruas de Niterói. Pulverizados em diferentes locais do município, os pontos de consumo de crack, aos poucos, vêm ocupando, principalmente, as ruas do Centro e do bairro São Lourenço.

Se em 2009 a prefeitura havia identificado cinco locais de concentração de dependentes da droga, esse número pode até ter dobrado este ano, de acordo com o levantamento feito pelo GLOBO-Niterói. Essa estatística ainda conta com o agravante apontado pelo professor Jairo Werner, coordenador do Grupo Transdisciplinar de Prevenção e Tratamento do Alcoolismo e outras Dependências (Geal), da Universidade Federal Fluminense (UFF): a confecção doméstica do crack.

Na falta da droga, segundo o especialista, os dependentes passaram a fabricá-la a partir da compra e da manipulação da cocaína — entorpecente que, assim como o crack, registrou aumento no número de apreensões feitas este ano pelo 12º BPM (Niterói):

— Em comparação com o ano passado, foi registrado um aumento considerável na apreensão de drogas. E o crack está entre elas, comenta o major André Luiz Caetano, subcomandante da unidade.

Para perceber o avanço do crack na cidade, basta transitar pelas ruas Visconde do Uruguai, Marquês de Caxias, Barão de Amazonas e São João, no Centro. Em São Lourenço, a concentração de usuários divididos em pequenos grupos, pode ser vista nas ruas Indígena e Presidente Castelo Branco e na Travessa São João. Para a polícia, a proximidade com a Favela do Sabão um dos principais pontos de venda da droga na região central, acaba atraindo os dependentes para o entorno da comunidade.

— Quando não há intervenção das instituições públicas, chega um momento em que o problema se torna visível. Desde 2002, verificamos o consumo da droga no município, que era feito no interior das favelas. O que percebemos é que o nível de disseminação vem aumentando ao longo dos anos, afirma Werner, que trata de dependentes no Geal.

Apesar da maior incidência de pontos de consumo no Centro, o problema também se estende para bairros da Zona Sul, como no final da Praia de Icaraí; próximo à Praça Leoni Ramos, em São Domingos; e nas proximidades do Instituto Vital Brazil, em Santa Rosa. Contudo, para Werner, o levantamento desses pontos de consumo é importante apenas para a primeira fase do tratamento do usuário, que é o acolhimento.

— O serviço de saúde pública deve estar preparado para combater essa realidade, cuidando desde o acolhimento, que passa pelo mapeamento dos locais de consumo, ao acompanhamento individual. Para isso, é necessário um ambiente protegido que dê condições de realizar esse trabalho continuado, explica o professor da UFF.

De acordo com levantamento feito pela prefeitura em 2009, os usuários de crack ficavam na Rua Doutor Fróes da Cruz, nas proximidades do Terminal João Goulart; na Praça JK; na Rua Professor Ernâni Pires de Melo, em São Domingos; nas proximidades da Rua Joaquim Távora, em Icaraí; e na entrada do Túnel Raul Veiga, que liga os bairros de Icaraí e São Francisco.

De acordo com a prefeitura, a estatística de atendimento da Secretaria de Assistência Social aponta que 60% das pessoas em situação de rua utilizam predominantemente álcool, maconha e solventes. Na população de rua, ainda segundo a administração municipal, o uso de crack é mais reduzido e não foram identificadas cracolândias nas regiões centrais, mas pontos esporádicos de consumo. A Secretaria de Saúde informa que mantém parceria direta com a Secretaria de Assistência Social para os casos que envolvam necessidade de atendimento clínico.

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