TRATAMENTO CONTRA O CRACK

Tratamento contra o crack

Do Diário do Grande ABC

A região da cidade de São Paulo que ficou conhecida pela triste alcunha de Cracolândia, na Luz, concentra centenas de pessoas que usam crack, álcool e outras drogas de forma compulsiva e o alto grau de dependência os impede de terem consciência sobre sua real condição.

A dependência química é doença crônica, tal como câncer, diabetes e hipertensão. Em estágios avançados ou quando o problema torna-se agudo, para qualquer outro problema de saúde indica-se internação hospitalar visando à estabilização do quadro. Por que, então, deve ser diferente com quem é usuário de drogas?

Não há espaço para discutir ideologias. A luta antimanicomial foi muito importante, mas hoje, passados 15 anos da reforma psiquiátrica, é preciso reconhecer que a rede pública deixou de criar soluções efetivas para os casos de saúde mental mais graves e extremos, e que por sua natureza precisam de internação e tratamento intensivos, com medicamentos e equipe multidisciplinar.

O programa Recomeço, do governo do Estado de São Paulo, lançado em 2013, não preconiza internações indiscriminadas de dependentes químicos, mas as indica quando o caso é realmente grave.

Na Cracolândia, mais de 80% dos dependentes que são encaminhados ao Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas) são classificados como doentes graves e que precisam de internação. Necessitam de período de abstinência mínimo, de desintoxicação, para depois seguirem o tratamento em nível ambulatorial e voltarem à rotina do dia a dia.

Desde 2013, quando o Cratod começou, foram realizados mais de 16 mil acolhimentos e 8.600 encaminhamentos de dependentes para internação, 87% dos quais de forma voluntária.

Uma das ações do programa Recomeço é o Recomeço Família, que tem o objetivo de acolher, orientar e apoiar os familiares de dependentes químicos. Com esta iniciativa, busca-se minimizar as chances do desenvolvimento de doenças e transtornos emocionais, decorrentes do impacto da convivência com o familiar dependente químico. Em 2014 o Recomeço Família realizou 7.100 atendimentos, em 13 unidades.

O conjunto de iniciativas do programa Recomeço, que conta com a participação das secretarias da Saúde, Desenvolvimento Social, Justiça e Trabalho, oferece oportunidades para que o dependente químico deixe essa condição, por meio de desintoxicação para os casos mais agudos, recuperação e reinserção na sociedade e no mercado de trabalho. Uma etapa de cada vez, sem atropelos, como deve ser.

Ronaldo Laranjeira é psiquiatra e coordenador do programa Recomeço, do governo do Estado de São Paulo.

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Sobre Clínica Alamedas

A dependência química está relacionada a diversas questões, seja no aspecto psicológico, biológico, social, econômico ou cultural de toda a família e pessoas ao redor do paciente. A clínica Alamedas possui uma estrutura completa com profissionais competentes e experientes para ajudar cada paciente e a sua família a superar a dependência química, com qualidade de vida e saúde.
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