A Fênix fumageira

ABEAD – Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas

Por Carlos Salgado

A Fênix é um mito simpático por sua resiliência. Ave poderosa, queima em agonia, mas logra retornar das cinzas, recompondo-se, talvez, mais forte.

A indústria da fumaça ou fumageira apresenta-se qual uma Fênix e ensaia, desde há muito, retornar à sua plenitude. Perdidos 50% de seus clientes no mundo todo, tenta aplicar a velha fórmula de sucesso do tabaco. Esta formulação comercial inclui a glamourização como produto de valor terapêutico, a banalização dos riscos, além do convencimento de que aspirar e aspergir fumaça no ambiente coletivo é charmoso e benigno.

Acresce a essa equação mercantil um dado interessante que vem a ser a ideologização do produto. Angaria pelo mundo todo ingênuos libertários que vêm no uso de maconha um gesto de liberdade. Ingênuos pois acreditam que um produto que produz tanta ou mais dependência do que o tabaco lhe possa servir de bandeira de liberdade. Aliás, esta temática da Liberdade de escolha não é inédita, já houve uma marca em particular que se articulava com seu público com o mote da liberdade.

Paradoxo humano é querer estar acima de contingências restritivas. Isto ocorre com gordura, açúcar, álcool, sedentarismo, sal. Na verdade, qualquer contingência restritiva não conta, a princípio com a simpatia de nós humanos. A maconha se candidata a entrar na lista. Por que não fumar? Há tantos Fulanos e Fulanas que o fazem e parecem não ter qualquer prejuízo …  Não parecem, mas têm sim prejuízo. Medido seu potencial, eles se saem abaixo em sua vida escolar, laboral e no desfrute em sua vida amorosa. Eles se separam mais, repetem mais na escola, batem mais com seus carros com acidentes graves mais do que triviais.

Haja peneira para tapar o sol que nutre a crença crescente na benignidade da fumaça da maconha. Enfim, a Fenix Fumageira ronda sua clientela, pronta para o bote comercial, assim que nós da Sociedade dormirmos no ponto e liberarmos nosso legisladores para o OK maligno. É pena, mas neste Brasil que consegue viver sem tabaco,  eles, legisladores estão com as canetas em riste, pronos à liberação de mais fumaça.

Carlos Salgado é Psiquiatra do Membro do conselho Consultivo da ABEAD – Presidente da APRS – Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

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