Apreensão de crack aumenta mais de 700 vezes em 13 anos no RS

Antes limitada à periferia de Porto Alegre, a venda de crack acontece livremente na esquina entre as ruas Garibaldi e Voluntários da Pátria, no Centro de Porto Alegre, a 300 metros da sede da Secretaria Estadual de Segurança, como mostra a primeira reportagem da série Reféns do Tráfico, do RBS Notícias (confira no vídeo). A apreensão da droga no estado aumentou em 720 vezes entre 2001, quando foram recolhidos 500 gramas, e 2014, quando o montante subiu para 360 quilos.

Brigada Militar realiza operação na região de Porto Alegre, crack (Foto: Reprodução/RBS TV)
Brigada Militar realiza operação na região de Porto
Alegre (Foto: Reprodução/RBS TV)

A Brigada Militar já realizou 35 prisões em 19 ações na “cracolândia” porto-alegrense, mas, segundo o tenente-coronel Antônio Carlos Maciel Júnior, as tentativas de combater o crime na área são infrutíferas. “Estamos fazendo nossa parte. Prendendo no dia a dia. Todos os dias têm alto índice de prisão. Boca de fumo desativa e volta”, diz o oficial. “Você tira hoje um, e logo em seguida outro assume o lugar. E nós vamos lá de novo e prendemos aquele”, relata.

A RBS TV realiza uma série de reportagens sobre o impacto do tráfico no Rio Grande do Sul. Nesta terça (15), confira como a venda de drogas alimenta outros crimes e está tornando as cidades mais violentas.

Venda acontece noite e dia
Imagens da RBS TV mostram um movimento frenético durante a noite no ponto de venda do Centro da capital gaúcha, em meio a obras em andamento e prédios abandonados. Pequenos traficantes percorrem as ruas vendendo a droga, e os pedestres que passam pelo local parecem não se importar.

Dois traficantes circulam a todo o momento em meio aos viciados, fazendo entregas e recebendo dinheiro. A droga ficava escondida entre dois tijolos posicionados fora do lugar na calçada.

Repórter usa câmera escondida para mostrar a compra do crack em Porto Alegre (Foto: Reprodução/RBS TV)
Repórter usa câmera escondida para mostrar a
compra do crack (Foto: Reprodução/RBS TV)

O crack chegou ao Rio Grande do Sul há 20 anos. Uma reportagem realizada durante uma noite de 1996 mostrava um traficante abordando discretamente o carro onde estava a equipe de reportagem da RBS TV, sem identificação, e oferecendo a droga. Atualmente, o repórter Fábio Almeida, com uma câmera escondida, não precisou caminhar muito para comprar a droga em plena luz do dia.

“A Brigada Militar faz fiscalizações seguidas na área. Nesta, os policiais revistaram bares e todas as pessoas que frequentam o local. Muitas estavam embriagadas, drogadas”, diz a capitã Marta Richter de Oliveira, da Brigada Militar. “A estratégia é realizar diversas abordagens reiteradas vezes no dia para ver se a gente consegue coibir esse tráfico de drogas que é incessante aqui nessa região de Porto Alegre”, afirma a oficial.

Tráfico assusta moradores
A chamada “cracolândia” fica no caminho entre o Centro de Porto Alegre e a Rodoviária, e assusta moradores que precisam passar pelo local. “A gente frequenta a igreja aqui perto e passa às vezes de noite aqui, e tem de estar sempre alerta, porque senão se torna muito perigoso”, diz o porteiro Rui Ferreira.

O aposentado Enio Dias concorda. “A insegurança é muito grande. Estava na hora das nossas autoridades tomarem uma atitude firme. Será que não é possível?”, indaga.

Cientista social pede ações do Estado
Estudioso do problema, o cientista social Charles Kieling diz que apenas a repressão policial não é suficiente pra acabar com o tráfico. Ele afirma que o Estado tem de atacar as causas do problema e oferecer alternativas para que crianças e jovens possam trilhar outro caminho, e assim, não ficarem vulneráveis à ação de traficantes.

“Quando as coisas começaram a quebrar, a romper, ou seja, quando a criminalidade ganha força porque outras estruturas do estado não souberam trabalhar, aí tem que entrar a polícia para resolver essa situação que o estado anteriormente não conseguiu trabalhar”, disse Kieling.

Sem se identificar, um morador de uma comunidade dominada pelo tráfico tem a mesma opinião. “Se tivesse um trabalho social do governo, acredito eu que o próprio crime diminuiria, até porque tiraria muitas famílias da situação de pobreza e miséria que as famílias vivem. hoje o que acontece é que por R$ 40, R$ 50, R$ 100, qualquer menor ganha o dinheiro sendo aviãozinho do tráfico. E o Estado não oferece nada em troca disso”, diz.

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