Crack se disseminou por todo o Rio Grande do Sul, diz Secretaria da Saúde

Coordenador de saúde mental afirma que não há cidade sem ‘cracolândia’.
Imagens mostram a atividade de usuários e traficantes em Porto Alegre.

Do G1 RS

A epidemia do crack não se limita mais às principais cidades do Rio Grande do Sul. O coordenador de saúde mental da Secretaria Estadual da Saúde, Luis Carlos Delafonte Coronel, afirma que todos os municípios gaúchos têm locais onde a droga é vendida e consumida, como mostra a terceira reportagem da série Reféns do Tráfico, do RBS Notícias.

“Não tem cidade pequena no Rio Grande do Sul que não tem uma cracolândia”, diz Coronel. “Houve uma disseminação”, lamenta.

A RBS TV realiza uma série de reportagens sobre o impacto do tráfico no Rio Grande do Sul. Nesta quarta (17), veja que as cracolândias tornaram a vida de alguns moradores um inferno, e muita gente tem medo até de sair de casa.

Alguns dos usuários da droga, sem se identificar, deram breves depoimentos. “Sou mãe de quatro filhos e perdi meus filhos por causa da droga”, lamenta uma mulher. Outro dependente afirma que pretende buscar tratamento. “Só que é difícil, sozinho é difícil”, lamenta.

Usuários e traficantes convivem nas ‘cracolândias’
Nas “cracolândias”, usuários convivem com traficantes, e aproveitam para fumar crack. Um dos principais locais de venda e uso da droga em Porto Alegre fica na região conhecida como Vila dos Comerciários, na Zona Sul da capital gaúcha. Escorados em um muro, homens e mulheres passam o dia todo comprando e usando o tóxico. O movimento da rua não impede a ação do grupo.

Imagens gravadas pela RBS TV mostram que o movimento no local é intenso. A cada hora chegam mais dependentes, e a droga é comprada ali perto. A toda hora, uma mulher caminha pelo local. Afasta-se do grupo de usuários, atravessa a rua, conversa com alguém e volta, sempre repassando algo para outra pessoa. Em seguida, o que se vê é mais gente consumindo a droga.

Quando a noite cai, a cena é ainda mais impressionante. Pequenas luzes que piscam lembram vagalumes na escuridão. Porém, na verdade, são produzidas pela queima da droga. Subitamente, uma mulher começa a passar mal. Ela tenta levantar-se, não consegue e fica se debatendo.

Outra cracolândia, na Vila Cruzeiro, Zona Sul da capital, fica a pouco mais de um quilometro de um posto da Brigada Militar e atrás do posto de saúde onde muita gente faz tratamento para tentar largar a droga.

Efeito imediato e danos permanentes
O crack é feito a partir da pasta-base de cocaína. Ao ser fumado, chega ao pulmão e, quase imediatamente, ao cérebro. De 10 a 15 segundos, são sentidos os efeitos: uma grande euforia, excitação e sensações de prazer e poder. A respiração e os batimentos cardíacos se aceleram. No entanto, após no máximo 10 minutos chegam a depressão e a ansiedade.

O uso repetido do crack destrói as células do cérebro, causa graves lesões pulmonares, compromete o aparelho digestivo, rins e fígado, e causa perda da memória. “Gera uma dependência muito rápida e avassaladora, em que a pessoa acaba destruindo sua vida rapidamente, gastando muito dinheiro e se envolvendo em crimes”, explica o médico Tiago Gatti Pianca.

O eletricista Tiago Gatti Pianca conta que consumiu crack por seis anos, e que o vício o levou a gastar R$ 2 mil em uma noite para comprar a droga. Segundo Pianca, basta fumar uma vez para ficar viciado.

“Ele é instantâneo. Ele não sai do teu corpo. Ele vai te pedir sempre mais. Na tua cabeça, vai te pedir sempre mais, mais, mais, até você não ter mais condições, gastar tudo que tu tem. Roubar da tua casa tudo isso”, alerta.

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