Novo titular da Promotoria do Torcedor projeta combater liberação do álcool nos estádios

Zero Hora – Entrevista

Márcio Bressani assumiu o órgão há pouco mais de um mês

Por: André Baibich

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Há pouco mais de um mês, Márcio Bressani, 36 anos, comanda a Promotoria do Torcedor, órgão do Ministério Público criado em 2013 e capitaneado, até então, por José Francisco Seabra Mendes Júnior. Além de seguir os passos do antecessor, que tornou-se uma referência nacional em segurança nos estádios, Bressani planeja contrapor as tentativas de liberar o consumo de bebidas alcoólicas nas arquibancadas.

Quer, também, que os ingressos de torcida visitante nos Gre-Nais sejam pessoais e intransferíveis, algo que pretende implementar já no clássico do dia 9 de agosto, na Arena, pelo Brasileirão. Confira sua entrevista por telefone a ZH:

Quais são seus planos à frente da Promotoria do Torcedor?
Há algumas circunstâncias recorrentes. Agora, por exemplo, vamos ter novamente o enfrentamento, na Assembleia Legislativa, da questão das bebidas alcoólicas. É uma preocupação nacional do Ministério Público porque se viu que a violência nos estádios está associada ao consumo de álcool e outras drogas. A partir da restrição, temos visto que os resultados são bem expressivos. Também há outras questões. Queremos que os torcedores sejam responsabilizados por danos patrimoniais do clube. Já para o próximo Gre-Nal, tenho verbalmente o compromisso do Inter (o clássico será na Arena, no dia 9 de agosto) para que os torcedores que vão à casa rival tenham ingressos vinculados aos assentos.

Como o MP pretende enfrentar a tentativa de liberação do álcool?
Há um projeto de lei que está tramitando. Deve aparecer na Comissão de Constituição e Justiça, se não me engano. Vou fazer visitas aos membros da Comissão e levar o material do MP, inclusive em nível nacional, demonstrando aos deputados o quão nocivo é esse retrocesso em relação às bebidas alcoólicas.

Quem critica a proibição menciona que os torcedores já entram embriagados no estádio, o que tornaria a restrição inócua.
Na verdade, o raciocínio e a experiência é no sentido inverso. Se sem a restrição de bebidas no entorno já tivemos um avanço considerável, tínhamos que trabalhar, inclusive, para a restrição no entorno. A evolução seria para essa abrangência maior, e não para a retirada da proibição. Essa restrição foi o que permitiu avanços como a retirada de fosso entre o campo e a torcida e daqueles arames farpados e muros. Parecia que todas as pessoas no estádio estavam em uma situação de clausura nas arquibancadas. Um estádio de futebol já é um local de exaltação natural das pessoas pela paixão pelo futebol, quanto mais com a adição do álcool.

Nos últimos Gre-Nais, tivemos, por um lado, a iniciativa da torcida mista, e por outro, alguns conflitos entre torcidas. O que o senhor planeja para os próximos clássicos?
A questão da torcida mista é uma conquista da sociedade gaúcha como um todo, algo que teve repercussão em todo o país. Temos de estar vigilantes para que não tenhamos retrocessos, como foram alguns conflitos de torcidas. Não tenho hoje a certeza de que estamos prontos para ampliar o espaço destinado à torcida visitante. Acho importante que os avanços se consolidem. O próximo passo que o MP pretende tocar é de que, já no Brasileirão deste ano, as pessoas que participem dos Gre-Nais sejam identificadas. Que tenham ingressos intransferíveis e sejam responsáveis pelo bom andamento daquela torcida. Inclusive com a apropriação do assento que estará utilizando. Sabemos que Grêmio e Inter têm um acordo de cavalheiros em que um indeniza o outro pelos prejuízos sofridos. Mas não me parece justo que as pessoas nunca sejam responsabilizadas por eventuais episódios de vandalismo.

* ZH Esportes

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