Pesquisa mostra que 48% das mortes no trânsito tiveram relação com álcool

Dados revelam que 13 motoristas de Campinas tinham entre 18 e 35 anos.
‘Não existe uma quantidade segura para beber e depois dirigir’, diz médico.

G1

Dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento (Emdec) de Campinas (SP) mostram que

48,8% das mortes registradas em acidentes de trânsito na cidade em 2014 tiveram relação com o consumo de álcool. Segundo o levantamento, das 96 vítimas fatais, o Instituto Médico Legal (IML) examinou 43 motoristas, e constatou que 21 deles apresentavam quantidade de bebida alcoólica no sangue considerada crime.

Ainda de acordo com a pesquisa, 13 dos motoristas embriagados tinham entre 18 e 35 anos e juntos, eles representam 61,9% das vítimas fatais.

Mesmo com a lei, nos fins de semana é comum ver grupos em bares com bebida e pessoas que assumem voltar para casa de carro. “É um risco que a gente prefere correr. Às vezes por impulso mesmo”, afirma um motorista que não quis se identificar.

Álcool eleva em 20% a chance de se envolver em
acidente, diz especialista (Foto: Reprodução/EPTV)

Riscos
Ao beber, o risco de se envolver em um acidente aumenta até 20 vezes, segundo a Faculdade de Medicina da Unicamp. Isso acontece porque, segundo o neurologista Luis Eduardo Belini, não existe uma quantidade segura para beber e depois dirigir, já que o efeito do álcool é rápido.

“Em questão de 20 minutos já produz efeitos diferentes de uma pessoa que não bebeu”, explica o médico.

Segundo o especialista, ao beber, o álcool vai direto para estômago e 20% da bebida já é absorvida. Os outros 80% vão para o intestino e seguem pela corrente sanguínea para todo o organismo até atingir o cérebro. Rapidamente, os neurônios são afetados e mudam o funcionamento de regiões importantes como córtex, que é a parte externa, lóbulo frontal e cerebelo. A partir disso, a pessoa passa a agir de forma alterada.

“Perda do juízo crítico e do comportamento que faz a pessoa que ingere álcool ficar mais imprudente. Ela perde o reflexo e a coordenação fica ruim”, afirma.

Atropelamento
O pai de Sérgio Henrique Moreira foi atropelado por um motociclista na frente de casa. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Ele lembra que o rapaz tinha sinais de embriaguez. “Ele estava sem dormir e tinha bebido. Ele pegou uma moto emprestada que não era dele. Não tinha habilitação e passou a mais de 100 km/h”, conta.

Apesar da dor, a família preferiu não entrar na Justiça, mas lamenta as consequências da relação do álcool com o trânsito. “Acabou o nosso chão. Nosso pai era tudo para a gente”, finaliza.

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