Fragilidade das fronteiras brasileiras facilita o tráfico de drogas

G1

Fronteiras brasileiras ainda são uma porta livre para o tráfico de drogas.
Nas estradas de MT, a apreensão de entorpecentes dobrou em 2015.

Alex Barbosa Cáceres, MT

As fronteiras brasileiras ainda são uma porta livre para o tráfico de drogas. Um exemplo disso são as estradas de Mato Grosso, onde a apreensão de entorpecentes dobrou em 2015. Os repórteres Alex Barbosa e Ygnácio Román percorreram o estado para mostrar como anda a vigilância.

A equipe ficou a poucos metros da fronteira com a Bolívia, em uma estrada vicinal do tipo das usadas por traficantes para entrar no Brasil. Um carro foi descaracterizado e carregado com 240 kg de gesso, embalados de forma bem parecida com a que os traficantes costumam embalar as drogas quando vão cruzar a fronteira. O objetivo era testar como anda a fiscalização nas estradas e na fronteira brasileira.

Todo o gesso foi embalado pela equipe em um galpão da emissora. O recibo do produto foi preservado para confirmar a compra e, por precaução, o Ministério Público Federal também foi avisado sobre a reportagem.

A equipe partiu de Cuiabá já com o gesso embalado e seguiu no sentido Cáceres, região de fronteira, para depois voltar com a falsa droga. Pelo caminho os repórteres encontraram apenas três postos da Polícia Rodoviária Federal.

O primeiro não tinha qualquer movimentação. No segundo, apenas um policial vistoriava um caminhão e o terceiro estava fechado para reforma.

Durante o trajeto, foram encontrados policiais rodoviários pelo caminho por duas vezes e o carro passou tranquilamente. Foram mais de 600 km rodados pela BR-070. O carro com 240 kg de gesso rodou ainda por várias estradas chamadas de “cabriteiras”, usadas pelos traficantes, segundo informou a polícia.

Depois de 12 horas, já à noite, a última imagem registrada. Já de volta à rodovia, uma blitz do Grupo Especial da Fronteira (Gefron), da Polícia Militar, colocou fim na linha.

A reportagem terminou na sede da Polícia Federal de Cáceres, para onde o gesso apreendido foi levado para análise. O laudo, claro, mostrou que não era cocaína.

O secretário de Segurança Pública elogiou o trabalho da PM, mas admitiu que é preciso mais investimento. “Dizer para a sociedade que esse é um quadro ideal para a nossa fronteira, isso de forma alguma. Nós temos que investir muito mais na fronteira, temos que capacitar o nosso pessoal, investir em meios e equipamentos”, disse Mauro Zaque.

As fronteiras brasileiras estão vulneráveis a crimes como contrabando, tráfico de drogas e armas, conforme concluiu o último relatório sobre os investimentos na fronteira feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Em Mato Grosso, são mais de 800 km de fronteira com a Bolívia, uma área extensa e uma das portas de entrada de drogas no Brasil. Só no primeiro semestre deste ano foram apreendidas cerca de 4 toneladas de entorpecentes que já haviam cruzado a fronteira e estavam em circulação no estado. A maior parte era cocaína. Este foi o dobro das apreensões em relação ao mesmo período do ano passado.

O produtor da reportagem, um auxiliar técnico e os repórteres Alex Barbosa e Ygnácio Román foram presos e liberados depois de sete horas. A Polícia Federal informou que seguiu o procedimento padrão e que vai manter os dois veículos da equipe apreendidos até que saia um laudo completo sobre o gesso. Um inquérito foi aberto sobre o caso.

O Ministério Público Federal informou que não tem atribuição de dar apoio a reportagens e que comunicou com antecedência a intenção dos jornalistas à Polícia Federal.

Sobre a vulnerabilidade das fronteiras, a Polícia Rodoviária Federal disse que tem 34 policiais para patrulhar 400 quilômetros e afirmou que pretende melhorar a estrutura.

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