Adolescentes investem no tráfico para conseguir manter o vício em drogas

Campo Grande News – Filipe Prado

Com o aumento do tráfico de drogas em Campo Grande, o número de adolescentes envolvidos no crime também tem crescido. Os menores buscam a facilidade no ganho de dinheiro para sustentar o vício em entorpecentes, principalmente maconha, que é a porta de entrada para drogas “mais pesadas”.

Desde o dia 1º de janeiro até o dia 20 de agosto deste ano, 206 adolescentes, entre 12 e 17 anos, foram apreendidos pelo crime na Capital. Por porte de drogas, foram encaminhados para Deaij (Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude) 885 menores.

No sábado (31), um garoto de 17 anos foi apreendido por ato infracional análogo a tráfico no bairro São Conrado. Ele foi localizado em uma boca de fumo onde vendia drogas. Foram apreendidos R$ 66,15. O jovem tem várias passagens por outros atos infracionais análogos a tráfico, posse de arma e roubo. A namorada dele foi detida como testemunha.

Os números não são muito altos, se comparado com os crimes envolvendo adultos, mas é preocupante, segundo a delegada da Deaij, Rozeman de Paula. Ela apontou que o vício em maconha é “a porta de entrada” para outras drogas, como o crack. “90% dos traficantes, foram usuários”, alertou a delegada.

O adolescente tem feito trabalhos, antes compostos apenas por adultos, como o de “mula”, pessoas que transportam a droga do Paraguai ou Bolívia para revender no Brasil, assim ganhando dinheiro para comprar os entorpecentes. O que tem aumentado é o tráfico interestadual, principalmente entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Os adolescentes também trabalham como revendedores de drogas, comprando os entorpecentes dos fornecedores e revendendo, porém uma pequena parcela tem liderado os pontos de vendas, a maioria das vezes por herança.

“O pai era dono de uma boca de fumo e acaba preso, então a mãe começa a liderar, mas também é presa, então o filho administra”, explicou a delegada.

Como as penas para adolescentes são mais brandas e o Estatuto da Criança e Adolescente permite a apreensão somente por ato infracional com grave ameaça, muitos garotos são reincidentes no crime de tráfico. “Não se segura por muito tempo”, comentou Rozeman.

Muitas vezes os pais não percebem o que ocorrem dentro de casa, porque não tem acesso a informações sobre o filho, porém uma parte, ainda pequena, de acordo com a delegada, acredita que o vício dos adolescentes é normal.

Outro ponto que preocupa a delegada é a migração do adolescente para os crimes mais graves. Eles começam com crimes menores, como o tráfico, e acabam realizando homicídios. “Estamos tentando combater isso, aumentando o policiamento e a efetividade na solução dos crimes”, assegurou a delegada.

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