Drogas e liberdade

Correio de Uberlândia

por Ponto de Vista

Mais de 20 milhões de brasileiros são dependentes químicos e, considerando-se que a codependência atinge familiares e amigos próximo de um usuário compulsivo de drogas, chegaremos a um número que equivale a quase metade da população brasileira que está associada, direta ou indiretamente, ao submundo no qual imperam aquelas substâncias. Um número, portanto, assustador!

Antes do mais, faço observar que não se trata de um cálculo aleatório, mas baseado em informações de organismos internacionais que lidam com os problemas relacionados à dependência por aquelas substâncias. E como está reagindo a nossa sociedade diante desse flagelo? De que maneira o brasileiro assiste à degradação de moças e rapazes antes tão sadios?

O medo certamente está presente na maioria da população o que, naturalmente, desencadeia fenômenos de exclusão a quem faz uso abusivo de drogas e, muitas vezes, psicologicamente mortos antes de morrerem fisicamente em função da dependência química. Somos todos testemunhas de campanhas publicitárias caríssimas promovidas pelo Governo, no sentido de querer “imunizar” os jovens contra esse mal que assola milhões de pessoas em quase todo o mundo, mas, infelizmente, elas ainda são foram capazes de conscientizar aquele público-alvo.

Pensar em “imunização” meramente individual não responde às necessidades prementes no combate ao uso das drogas. Imaginar que campanhas publicitárias eliminarão todos os riscos é algo infantil, incoerente com a realidade que nos apresenta tão complicada questão e, principalmente, quando nos enxergamos reféns de traficantes muito bem armados, também pela astúcia com que se aproximam de nossos filhos. O uso de drogas já está banalizado e isso é uma realidade que muitos não conseguem ou não querem admitir para o seu próprio conforto.

A questão da liberação do uso de maconha alimenta a confusão entre um meio preventivo e um projeto educativo falido antes mesmo de ser implantado, pois é um meio de encarcerar os jovens sob a autoridade dos seus próprios impulsos e sem antes tomarem perfeito juízo das consequências do uso daquela droga. Pobre é quem as drogas escravizam e ferem; pobre e desorientada é a geração que é levada a acreditar que tem o poder de medir a sua impulsão em relação algo que, a princípio, causa prazer, mas que, com o tempo, traz terríveis dores físicas e emocionais.

A nossa sociedade prova cada vez mais estar realmente pobre de valores, pois nada tem a propor para prevenir o uso de drogas senão entregarem-se às mesmas, procurando se adaptar ao mal originado delas. Em minhas palestras a estudantes em Uberlândia e região, sempre deixo recomendado a todos eles que reflitam sobre a orientação da sua própria vida para não terminarem sucumbindo ao uso de drogas e daí passarem a ter comportamentos que irão prender a sua liberdade em função de seduções imediatistas prometidas pelas drogas e que poderão comprometer seriamente o resto de suas vidas e de suas respectivas famílias.

Drogas não são sinal de liberdade, o que realmente liberta qualquer pessoa é o que ela tem de valor em si mesma e a partir da sua dignidade, do seu amor-próprio o qual deve repartido com aqueles que ainda estão desbussolados em relação ao seu próprio destino.

Gustavo Hoffay

Presidente Conselho Deliberativo da Fundação Frei Antonino Puglisi e ex-diretor do Conselho Municipal Antidrogas em Uberlândia-MG

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Sobre Clínica Alamedas

A dependência química está relacionada a diversas questões, seja no aspecto psicológico, biológico, social, econômico ou cultural de toda a família e pessoas ao redor do paciente. A clínica Alamedas possui uma estrutura completa com profissionais competentes e experientes para ajudar cada paciente e a sua família a superar a dependência química, com qualidade de vida e saúde.
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