Seis dos dez maiores pontos de tráfico de São Paulo ficam no centro

Jornal Folha de S. Paulo – WILLIAM CARDOSO – DO “AGORA”

A praça Ramos de Azevedo, no centro de São Paulo, foi o local onde a polícia registrou mais casos de tráfico de drogas entre janeiro e outubro deste ano.

Entre os dez maiores pontos de compra e venda de entorpecentes da capital, seis ficam na região central.

O mapeamento é baseado em dados da Polícia Civil obtidos pela reportagem via Lei de Acesso à Informação.

Na praça, onde fica o Theatro Municipal, foram 46 casos registrados em dez meses.

“A gente vê de cima do prédio. É roubo, uso de drogas e tráfico o tempo inteiro”, diz uma moradora 31 anos.

O cenário é semelhante na rua Paim, na Bela Vista, com 39 casos. Na via, o condomínio 14 Bis é o principal alvo da polícia. Para alguns moradores, a esperança é que o mercado imobiliário dê novo ânimo ao local.

“Hoje, estão construindo esses prédios de luxo em volta e acho que a coisa ainda vai melhorar”, afirma um morador de 41 anos que vive há 20 no edifício.

Vizinha da Associação Desportiva da Polícia Militar, a rua Nelson Cruz, no Belém, na zona leste, está entre os dez pontos com mais registros, com 30 casos.

Os dados mostram que a variação das ocorrências é pequena ao longo dos meses, mas a ação policial é feita principalmente no fim do mês, com quatro em cada dez registros entre os dias 21 e 31. Essa é também a proporção de casos que foram registrados no período da tarde.

Diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno afirma que o fato de a polícia ir diversas vezes no mesmo lugar é prova da ineficiência do modelo atual de repressão.

“Nossa capacidade de investigação é baixíssima. Não são presos os grandes traficantes”, afirma.

“Se resolvesse, não teria que vir o tempo inteiro aqui. O problema é que prende, mas depois solta”, comenta uma mulher de 53 anos que mora perto da praça Ramos.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública não se manifestou sobre os dados.

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