A cracolândia hoje é um abandono

Jornal Valor Econômico – por Andrea Matarazzo:

A cracolândia hoje é um abandono porque permitiu-se a reabertura do bares, ferros-velhos, todos irregulares e ilegais e ligados ao tráfico. Primeiro, farei uma integração grande entre Estado e município na questão do tratamento.

O programa Recomeço, do Estado, é bem interessante, onde você faz desintoxicação. Depois você vai para outro estágio, que é para as residenciais terapêuticas e por fim socialização. Você podia por o Braços Abertos como uma etapa seguinte. Mas jamais eu deixaria o pessoal do Braços Abertos colocados no meio do cracolândia. É como você querer criar o alcoólatra dentro do bar. Não existe isso. As equipes de trabalho deveriam ficar em outros locais e alugar hotéis em outros locais e não no meio, deixando a pessoa a mercê do traficante. Tem um problema, que são os moradores do local reféns da população que está lá. E tem a população refém do traficante.

É um problema da prefeitura com relação à fiscalização dos locais, da polícia em não deixar o traficante lá, e da saúde tratar e cuidar daquelas pessoas.

A cidade tem 16 mil moradores de rua, com tendência a um aumento de idade dessa população de rua porque não há políticas para idosos em São Paulo.

O carente, a pessoa pobre que não tem com quem deixar a mãe ou o pai com Alzheimer, o que acaba acontecendo? Acaba indo pra rua.

Você tem aumento da população de rua de travestis e gays porque as famílias colocam para fora.

Falta política pública para 16 mil pessoas. Albergue abre às 18h e fecha às 5h, como se morador de rua chegasse às 5h, pegasse a pasta 007 e fosse para o Bradesco ser gerente. Isso não existe. 70% dessa população tem grave transtorno mental à dependência química. É uma população que precisa de um foco especifico de atenção.

Fui acusado pelo padre [Julio] Lancelotti de higienismo, que as pessoas queriam ficar na rua, mas dizia provavelmente porque ele não tem filho e nunca viu o filho dele arrastando cobertorzinho na cracolândia.

Sobre internação compulsória, dos 2 mil casos do programa Recomeço, do Estado, só tiveram 12 internações desse tipo. O resto são as próprias famílias e as próprias pessoas quem pedem internação.

A pessoa quer se tratar, ninguém quer ficar na rua.

Ele tá na rua por falta de opção.

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