Jovens passam 3 meses na cadeia por vender brigadeiro de maconha no Rio

Jornal Folha de S. Paulo – LUCAS VETTORAZZO DO RIO

Uma lata de leite, achocolatado em pó, manteiga e um ingrediente não encontrado na confecção tradicional de brigadeiro: maconha. Foi por causa dessa receita que três jovens cariocas passaram três meses na cadeia por tráfico de drogas no Rio.

E. S. L. S, 23, D. C. C., 24, e A. S. L. C., 28, foram presos em flagrante na Lapa, bairro boêmio do centro, em junho do ano passado.

Com eles foram encontradas, segundo o boletim de ocorrência, 64 unidades de “brigadeiros mágicos”, como indicava a placa que eles traziam consigo, além de 3,2 gramas de maconha prensada dentro de um saquinho transparente e R$ 829. Também foram achados três “cigarros artesanais confeccionados com papel branco fino” – um deles com “marcas de combustão”.

O trio de fato vendia brigadeiros de maconha há seis meses, contando com a legislação menos restritiva aos usuários. Apesar de ser crime, o porte de drogas para consumo pessoal não é punido com prisão.

“Fomos vender de onda porque queríamos fazer um dinheiro extra. Não era a nossa profissão. A gente levava para os locais onde gostava de sair. Vendíamos bem”, disse E. à Folha. “Eu não sou ingênua, sabia que era errado, mas não imaginava que iria para a cadeia por isso.”

O comércio de doces com maconha é comum no Rio. Brigadeiros, cookies, bombons, palhas italianas e até alfajores são vendidos em praças e festas ao ar livre. Os vendedores são geralmente estudantes como E. Devido à temporada na prisão, ela perdeu a matrícula na faculdade de filosofia da UniRio, por exceder o limite de faltas sem apresentar justificativa em tempo hábil.

PRISÃO

Detidos na madrugada de um sábado, às 3h, E., D. e A. foram inicialmente autuados por “venda de produto impróprio para o consumo”. Contudo, foram mantidos na delegacia por nove horas, período no qual, segundo Emily, não puderam fazer telefonemas. Depois que a perícia confirmou a presença de maconha nos brigadeiros, os jovens passaram, então, a ser indiciados sob acusação de tráfico de drogas.

“Se tivéssemos um advogado, nunca teríamos sido levados para a cadeia. Minha mãe ficou sem notícias minhas e, depois de ir a hospitais e ao IML, foi à delegacia dar parte do meu desaparecimento. Foi quando ela soube que eu tinha sido presa.”

O Ministério Público ofereceu denúncia por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Calculou um total de 2,12 quilos de brigadeiro “contendo substâncias entorpecentes cannabis sativa [nome científico da maconha]”.

“A quantidade de brigadeiros confeccionados com maconha apreendida, assim como forma de acondicionamento da erva, […] evidenciam a finalidade de entrega do material entorpecente aos frequentadores da Lapa”, diz a denúncia, assinada pelo promotor Rodrigo Hermanson.

CONDENAÇÃO

Depois de três meses e duas audiências, o juiz entendeu que poderiam responder em liberdade. Em janeiro, a Justiça os condenou por tráfico de drogas, com pena prevista de cinco anos em regime fechado.

Por serem réus primários, a punição foi substituída por um ano e oito meses em regime aberto, multa de R$ 1.000 para cada e seis horas semanais de trabalho comunitário. Não recorreram. “Fiquei em uma cela com 50 camas e 70 detentas. Chorava todo dia”, diz E.

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