Adolescente e o uso de drogas

*Por Adriana Moraes

O tratamento é uma oportunidade para ajudar o paciente a transformar sua percepção do mundo e sua forma de nele inserir-se.

A adolescência é um período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes. É uma fase de desenvolvimento integral na qual ocorrem imensuráveis modificações no organismo especialmente, no sistema nervoso central (SNC). O uso de substâncias psicoativas, que passa a ser muito atraente nessa fase, pode causar danos irreversíveis à estrutura cerebral e aumentar o risco do desenvolvimento da dependência química. [1]

O tabagismo, bem como o uso de outras substâncias psicoativas, tende a se estabelecer durante a adolescência. Quanto mais precoce a idade do início, maior a probabilidade do indivíduo tornar-se dependente da nicotina. A figura do cigarro, por exemplo, como algo proibido estimula o desejo do adolescente e do jovem de transgredir, e suas principais motivações para fumar é o desejo de se afirmar como adulto e de ser aceito no grupo.

O adolescente vive o presente, busca realizações imediatas, e os efeitos das drogas, entre elas, os cigarros vão ao encontro desse perfil, proporcionando o “prazer”, passivo e imediato. Frequentemente é na fase escolar que o adolescente tem o primeiro contato com o mundo das drogas. O problema é que o uso precoce de drogas pode afastar o adolescente de seu desenvolvimento normal, impedindo-o de experimentar outras atividades importantes nesta fase da vida. [2]

A curiosidade dos adolescentes é um dos fatores de maior influência na experimentação de substâncias psicoativas, fazendo com que o jovem busque novas sensações e prazeres. [3]

Para a maioria dos jovens e adolescentes, as bebidas alcoólicas e o cigarro serão a combinação mais frequente. São drogas lícitas (comercializadas de forma legal), a lei brasileira proíbe a venda para menores de 18 anos. [1]

II LENAD

Vejamos alguns dados da pesquisa realizada pelo II LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas São Paulo), o estudo foi feito em 149 municípios em todas as regiões do país, entrevistou 4.607 pessoas com idade mínima de 14 anos, sobre o consumo de cigarro, de cocaína aspirada ou fumada (crack), avaliaram o uso de álcool e maconha. [4]

Cigarro:

lenad grafico

[3] O tabaco parece ser uma das drogas psicoativas de maior acessibilidade, tem um preço baixo, é aceita na sociedade de maneira legal. A nicotina é um ingrediente psicoativo altamente indutor a dependência. O levantamento revelou a facilidade que os adolescentes têm acesso ao cigarro, 62% dos menores disseram que a idade nunca os impediu de comprar cigarros.

Maconha:

maconha

É a substância proibida por lei mais usada em nosso país. Um em cada dez adolescentes usuários de maconha é dependente da droga. O uso da maconha muitas vezes começa a ser associado a várias situações pelas quais o indivíduo passa, se ele está nervoso fuma; se está tenso fuma para relaxar, se sente depressivo fuma, se tem um problema fuma antes de pensar em tentar resolvê-lo e assim por diante, tornando assim cada vez mais dependente.

Crack:

crack

O contato com a droga começa cedo: quase metade (45%) dos usuários provou a substância pela primeira vez antes dos 18 anos.

O crack é uma droga poderosa, capaz de mudar o comportamento do indivíduo, deixando-o pouco disponível para o tratamento. Importante lembrar que crianças e adolescentes que fazem uso do crack tornam-se dependentes, o que poderá causar diversas alterações em sua vida, entre elas: afastamento da escola e da família, maior probabilidade de envolvimento com o tráfico de drogas, prostituição, exposição a doenças sexualmente transmissíveis (AIDS, hepatites), furtos e vendas de seus pertences e de seus familiares, maior exposição a agressões, criminalidade e problemas com a lei, quando não a própria morte de modo violento. [1]

Álcool:

alcool

 Em entrevista ao site da Agência Brasil ‘Estudo da Unifesp estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool’, Dr. Ronaldo Laranjeira ressaltou: “Temos 01 milhão de pontos de venda que são estimulados a aumentar cada vez mais o consumo. Além do baixo preço de bebidas e as propagandas que estimulam os mais jovens a beber”.

Para a maioria de adolescentes, as bebidas alcoólicas e o tabaco serão a combinação mais frequente, seguidos de álcool e maconha, tabaco e maconha e álcool e alucinógenos. [1]

Tratamento: Hospital Cantareira

É muito raro um adolescente buscar ajuda de maneira espontânea para seu problema com o uso de substâncias psicoativas. O mais comum é que venha encaminhado pela família, por uma instituição (escola, conselho tutelar) ou por ordem judicial. [1]

A avaliação do jovem usuário é de extrema importância para uma correta identificação tanto do uso precoce de drogas e das condições que podem acompanhar esse consumo como das graves consequências que podem ocorrer do uso continuo de substâncias. [1]

O Hospital Cantareira inaugurou uma enfermaria exclusiva para atender os adolescentes masculinos com idade de 15 a 17 anos. Atuam com uma equipe de profissionais especializados e com projeto terapêutico especifico para esta faixa etária. [5]

No hospital serão avaliadas as comorbidades psiquiátricas, as mais prevalentes com a dependência química são o transtorno de conduta, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, os transtorno de humor (depressão, transtorno afetivo bipolar), transtornos de ansiedade e os transtornos psicóticos. [1]

O Hospital Cantareira atende convênios e particulares, mais informações no site: https://cantareira.spdm.org.br/

O tratamento é uma oportunidade para ajudar o paciente a transformar sua percepção do mundo e sua forma de nele inserir-se. [1]

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).

Referências

[1] O tratamento do usuário de crack – Marcelo Ribeiro, Ronaldo Laranjeira (Orgs) 2ª edição – Porto Alegre: Artmed, 2012.

[2] Dependência Química: prevenção, tratamento e políticas públicas / Alessandra Diehl – Daniel Cruz Cordeiro – Ronaldo Laranjeira – Porto Alegre: Artmed, 2011.

[3] SARDINHA, L. S. Tabagismo e depressão: indicadores do funcionamento psíquico por meio do Bender e do Rorsechach. 180p.Tese (Doutorado). Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

[4] http://inpad.org.br/lenad/

[5] https://cantareira.spdm.org.br/

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Sobre Clínica Alamedas

A dependência química está relacionada a diversas questões, seja no aspecto psicológico, biológico, social, econômico ou cultural de toda a família e pessoas ao redor do paciente. A clínica Alamedas possui uma estrutura completa com profissionais competentes e experientes para ajudar cada paciente e a sua família a superar a dependência química, com qualidade de vida e saúde.
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