Especialistas discutem como o tráfico de drogas pode ser reduzido no DF

Correio Braziliense – Isa Stacciarini

Em Brasília, 90% dos produtos ilícitos chegam pela BR-060

O delegado Kel Lúcio Souza: fim do financiamento do tráfico é a saída

A maior parte da droga que entra em território nacional passa pelas fronteiras do país: 95% da carga chega de divisões por terra entre Brasil, Paraguai, Bolívia e Colômbia, segundo dados da Polícia Federal (PF). De acordo com a Delegacia de Repressão à Entorpecentes, apenas 5% dos produtos atravessam por vias marítimas ou aéreas — os dois meios são mais caros e poucos traficantes investem em logísticas grandiosas. O problema é que as terras brasileiras têm quase 16 mil quilômetros de fronteira. Só com os três maiores produtores de cocaína do mundo — Colômbia, Peru e Bolívia — são 7.765km. A divisão com o Paraguai, número 1 no ranking mundial de maconha, chega a 1.339km. Para chegar ao DF, a carga passa, preferencialmente, por Goiás. O estado serve, inclusive, como entreposto comercial na distribuição para Norte e Nordeste. Segundo a PF, 90% da droga em Brasília chega pela BR-060.

O titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE-DF), Kel Lúcio Souza, ressaltou a existência de traficantes brasileiros em países produtores de entorpecentes. “A operação de repressão às drogas é inteligente quando consegue chegar ao fornecedor e ao financiador. A principal medida é descapitalizar o traficante, desmontar a estrutura, caso contrário, o trabalho não adianta”, destacou. Segundo Kel, há também a grande capilaridade de rios e estradas, que impossibilita o fechamento completo das fronteiras. Para ele, uma forma de amenizar a entrada das cargas seria operações integradas com as forças de segurança a partir de serviço de inteligência e ferramentas de soluções. “Os Estados Unidos têm 3.141km de fronteira com o México, 1/3 de toda a nossa fronteira. Mesmo com policiamento só na fronteira, muros e cercas, eles não conseguem coibir a entrada de droga”, ressaltou.

Para o titular da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), Rodrigo Bonach, o cerne do tráfico é de natureza diplomática. “Trabalhamos para aparar a grama para que ela não cresça e os traficantes não se empoderam nem enriqueçam. Eles almejam o lucro sem ver a quem fazem mal. Em nível do governo federal, alguma medida tinha que ser tomada, como, por exemplo, a suspensão de acordos internacionais ou o pedido de controle na produção de droga em países como Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia”, destacou.

No Distrito Federal, o mercado se torna lucrativo por causa da alta renda dos consumidores. Por isso, o varejo de pequenas quantidades é intenso. “Enquanto tiver demanda, existem fornecedores. O Distrito Federal é visado por causa da alta renda per capita”, ressaltou o delegado. Para o promotor de Justiça de Entorpecentes do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), José Theodoro Correa de Carvalho, problema também está na falta de punição.

“Estamos vivendo um momento, e não é de hoje, em que os governos não são mais capazes de manter o sistema penitenciário adequado e digno. A opção tem sido esvaziá-los. Por isso, as penas são reduzidas ou transformadas em alternativas. Essa situação passa uma mensagem equivocada à sociedade de que se permite o traficante. Com isso, geram-se consequências laborais, infrafamiliares, de saúde e criminal”,

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