Cremesp condena associação do consumo de álcool ao sucesso esportivo, sugerido em campanha dos Jogos Olímpicos

CREMESP – Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo

Nota de Repúdio

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo manifesta seu repúdio ao patrocínio de marca de cerveja durante os Jogos Olímpicos 2016, no Brasil, permitido pelo Comitê Olímpico Brasileiro, que promove a associação de consumo de bebidas alcoólicas a atividades esportivas.

O consumo de álcool como situação positiva, divulgado em ações de marketing na grande mídia, é tão nocivo quanto as propagandas de cigarro que hoje estão proibidas no País. Representa também uma contradição em relação às campanhas de saúde que orientam os jovens ao esporte como forma de prevenção às drogas.

O uso nocivo de álcool constitui um oneroso problema de saúde pública no Brasil e no mundo, com consequências para a saúde física e mental, além de trazer perdas sociais e econômicas à pessoa que bebe, afetando também quem está ao redor.

Entre os principais problemas de saúde decorrentes do uso de álcool estão o prejuízo ao feto pelo consumo durante a gravidez; desenvolvimento de câncer, doenças cardiovasculares, hepáticas, pancreáticas e neuropsiquiátricas; ausência no trabalho (por hospitalizações e aposentadoria precoce); acidentes de trabalho e de trânsito; violências interpessoais, incluindo a familiar; e suicídio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou documento, em 2010, contendo orientações sobre pontos considerados fundamentais para minimizar os efeitos do uso nocivo para a sociedade como um todo, e a propaganda de bebidas alcoólicas está entre as dez áreas-alvo levantadas. Dados da OMS de 2014 apontaram que o consumo nocivo de álcool é responsável por mais de 200 doenças e transtornos de saúde, com 3 milhões de mortes por ano, o que representa 5,9% do total de mortes no mundo. Na América Latina, cerca de 16% dos anos de vida útil perdidos estão relacionados ao uso indevido do álcool, sendo quatro vezes maior que a média mundial. No Brasil, o consumo médio é de 8,7 litros por pessoa por ano, mais que a média anual mundial, que é de 6,2 litros por pessoa.

A Aliança Cidadã, liderada pelo Cremesp e pela Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), entregou em 2007, à Câmara dos Deputados em Brasília, um abaixo-assinado com 700 mil assinaturas, coletadas durante o Movimento Propaganda sem Bebida. A campanha teve apoio e adesão de mais de 300 entidades da sociedade civil, entre instituições médicas, ONGs voltadas ao trabalho com dependência química e saúde mental, igrejas, universidades, sindicatos, conselhos profissionais, conselhos municipais de políticas públicas de álcool e drogas, serviços de saúde e entidades de defesa do consumidor.

Em 2015, a propaganda de uma marca de cerveja, anunciada como “a cerveja oficial dos atletas não oficiais”, chegou a ser suspensa pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), após crítica de consumidores sobre a associação entre consumo de bebida e esporte. Em seguida, a sustação da propaganda foi substituída, apenas, por uma advertência.

Recentemente vimos artifícios publicitários que utilizam figuras de pessoas vestidas como atletas divulgando “prêmios”, como ingressos para Olimpíadas 2016, inseridos na parte interna das tampas de garrafas, encorajando o uso de bebida alcoólica e estimulando maior consumo.

O Cremesp vê com extrema preocupação que patentes interesses comerciais sobrepujem a promoção da saúde e pretende tomar as medidas cabíveis para coibir esta prática.

VEJA NOTA OFICIAL DO CREMESP:

O uso nocivo de álcool constitui um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, com consequências para a saúde física e mental, além de trazer perdas sociais e econômicas à pessoa que bebe, afetando também quem está ao redor, em especial crianças e adolescentes.

Por isso, o Cremesp vem a público manifestar seu total repúdio à aceitação, pelo Comitê Olímpico Brasileiro, do apoio oficial de uma marca de cerveja aos Jogos Olímpicos no Brasil. Os anúncios veiculados nas mídias sugerem uma relação benéfica entre o uso de álcool e o sucesso esportivo, colocando em risco a população de menores de idade que se identifica com seus ídolos olímpicos.

Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo

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