Pesquisa da Unifesp mostra que menores têm acesso fácil a bebidas

atribuna.com.br

Mais da metade dos estabelecimentos de Santos vendem álcool a quem tem menos de 18 anos

Débora Pedroso

Mais da metade (55,5%) dos estabelecimentos comerciais de Santos vende bebida alcoólica para menores de 18 anos. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Prefeitura de Santos, que afirma, irá notificar os estabelecimentos.

O levantamento aconteceu no último dia 27 e teve a participação de 30 adolescentes voluntários com idade entre 14 e 16 anos. Eles visitaram 270 comércios como bares, padarias, quiosques, lojas de conveniência e supermercados.

A quantidade de estabelecimentos foi definida pelo critério de amostragem, que corresponde a um total de 11% de um universo de 2.470 endereços comerciais nesse segmento cadastrados em Santos, distribuídos nas cinco regiões da Cidade.

No Centro e na Área Continental, os menores conseguiram comprar latinha de cerveja em todos os pontos visitados. O percentual de estabelecimentos nos morros chegou a 70%; na Orla, 61,32%, seguido de 50% na Zona Intermediária. A Zona Noroeste foi a região com menos infrações cometidas pelos comerciantes (40%).

Especialmente nas noites de sexta-feira e sábado, não é raro observar jovens e adolescentes consumindo bebidas alcoólica  (Foto: Bruno Miani/ 05/08/2011)

Cuidados

Por se tratar de um trabalho envolvendo menores de idade, a Prefeitura diz ter adotado algumas medidas para não expor os voluntários a riscos. A proposta da pesquisa foi analisada e liberada pela Procuradoria Geral do Município e pela Vara e Promotoria da Infância e Juventude. A participação dos adolescentes teve a autorização dos pais.

Os menores iam nos estabelecimentos em dupla. Antes de entrar no local, um monitor maior de idade verificava o ambiente. Enquanto os adolescentes estavam no estabelecimento, o monitor aguardava do lado de fora.

Os jovens assistiram a uma palestra de prevenção ao consumo de drogas antes de participar da pesquisa. Para efeito do levantamento, se perguntados, os participantes não deveriam mentir sobre a idade e precisavam alegar que a bebida era para consumo próprio. Todas as latinhas compradas foram recolhidas pelos pesquisadores.

Suspeita

De acordo com o vice-prefeito e coordenador do Comitê Gestor Municipal de Políticas sobre Drogas, Eustázio Alves Pereira Filho, a pesquisa comprova uma realidade que a Prefeitura já suspeitava existir.

“Um estudo científico faz com que percebamos uma necessidade maior de fiscalização. Mas, além disso, de chamarmos o sindicato que representa os comerciantes para uma conversa. Eles são pais de família e temos que chamar para a responsabilidade social e à observância da lei”.

Não serão multados

Apesar disso, Pereira diz que os estabelecimentos serão apenas notificados. Ele argumenta que o flagrante serviu como um “objeto de estudo” e não poderá ser usado como um motivo para multa. Os locais não foram revelados para a Reportagem.

“A fiscalização não é a raiz do problema, temos que conscientizar a família de que a cerveja do lado do leite na geladeira banaliza o consumo de álcool. Aí pode nascer um dependente químico. Se ele não for para as outras drogas, está estragando suas emoções, está desperdiçando seus talentos e potenciais”.

Prevenção

A Tribuna pediu à Prefeitura números de fiscalizações com o foco na venda de álcool para menores e a quantidade de autuações recentes. Em nota, a Secretaria de Comunicação e Resultados (Secor) respondeu que esse trabalho compete à Vigilância Sanitária Estadual.

De acordo com o texto, a administração municipal tem se dedicado ao trabalho preventivo em diversas frentes, como o projeto Santos Jovem Doutor, Educação Cidadã, Programa Educacional de Resistência às Drogas, Plano de Curso do Ensino Fundamental e Proerd.

Só este ano foram direcionado R$ 154.389,00 para programas educativos feitos em parceria pela Guarda Municipal e Seduc. A verba vem do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

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