Número de mulheres flagradas com drogas em presídios quase dobra

G1

Neste ano, 25 visitantes foram detidas em tentativas frustradas de acesso.
Ao todo,segundo a SAP, foram apreendidos, 2,7 quilos de drogas no Vale.

Do G1 Vale do Paraíba e região

O número de mulheres flagradas ao tentar entrar com drogas em presídios do Vale do Paraíba quase dobrou. No primeiro semestre deste ano, 25 mulheres foram detidas com as drogas escondidas nas partes íntimas. No mesmo período do ano passado foram 14.

Os dados são de um levantamento feito pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Ao todo, foram apreendidos, 2,7 quilos de drogas com as visitantes neste ano.

“É a mulher levando droga para o esposo. Em tese ela diz que ele tem dívida na cadeia e ela seria constrangia para levar a droga, mas a gente sabe que é mentira. Ela leva para o marido”, afirmou o delegado da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise), Darci Ribeiro.

Os flagrantes acontecem quase sempre na revista íntima, antes das visitas. No momento, as visitas precisam tirar a roupa e agachar várias vezes até o chão pra comprovarem que não estão escondendo entorpecentes ou outros objetos cujo acesso à unidade são proibidos.

Uma ginecologista explica que ao usar o próprio corpo pra levar drogas, a mulher se expões há vários tipos de risco. “Pode causar sangramento, infecções, podendo até levar a infertilidade. A longo prazo ela pode não conseguir ter mais relação e o mais grave é a possibilidade de ter óbito”, explicou a ginecologista Viviane Ferreira Ferling.

Crítica
A Pastoral Carcerária de São José dos Campos acredita que a revista íntima é necessária, mas espera que os profissionais tenham um treinamento mais humanizado pra evitar abusos durante esse momento.

“Uma questão de acompanhamento de uma assistente social, um psicólogo ou até uma agente da pastoral que pudesse prestar um  serviço. Isto é uma ação humanitária”, defendeu a vice coordenadora da pastoral, Fabiana Barros.

Outro lado
Por meio de nota, a Secretaria de Administração Penitenciária admitiu que a revista de visitantes nos presídios é rigorosa, mas negou que seja constrangedora.

A nota diz ainda que é um procedimento necessário e que todos os fins de semana visitantes são presos tentando entrar com objetos proibidos em presídios.

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