Tráfico de drogas é a principal causa de prisão de estrangeiras; veja histórias

Jornal Folha de S. Paulo

DIEGO ARVATE DE SÃO PAULO

As aulas de dança são variadas, boliviana, tailandesa, venezuelana. Longe da terra natal e famílias, as estrangeiras presas em São Paulo contam com a música ajuda a mitigar a saudade da família e a dor, além de diminuir a barreira que idioma e cultura impõem ao dia a dia atrás das grades.

Em outubro de 2015, a Folha passou dois dias na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, onde está a maior população de detentas estrangeiras da América Latina. A unidade, primeira cadeia do Brasil a receber presas com esse perfil nos anos 2.000, é mista: 729 mulheres vivem no presídio, sendo 276 são estrangeiras (ao todo, são 390 no Brasil) de 57 nacionalidades.

São africanas, europeias, americanas e muçulmanas que, nesse caldeirão, participam internamente de uma Festa das Nações anual.

Na última edição, em setembro do ano passado, a sueca Falida Djonni Dahlgren, 26, foi eleita a Miss Beleza Internacional. “Nem sei falar o português, outras presas que traduzem. Passo parte do dia escutando música brasileira, ajuda a aprender o idioma”, diz Falida, que após cumprir os sete anos que ainda tem de pena, sonha em voltar para a Suécia.

A venezuelana Carmem Júlia Lopez, 40, presa por tráfico internacional de drogas, gosta de maquiagem, o que só é permitido em comemorações, quando a direção autoriza. Para ela, faltam dois anos. “A esperança é sair e reencontrar meu filho que está com câncer”.

Queixas relacionadas à solidão, tristeza e abandono são as mais presentes no universo da carceragem feminina estrangeira.

A boliviana Karol Andrea Vacaflon, 26, na época presa por tráfico, chegou ao presídio grávida. Depois que a criança nasceu, foi com a avó para a Bolívia. A família não têm dinheiro para visitá-la e o parceiro a abandonou. Karol foi removida para o regime semiaberto em maio deste ano.

Na detenção, as reeducandas que chegam grávidas têm seus filhos dentro da cadeia. Após o período de amamentação, porém, mãe e filho são separados.

PRISIONEIRAS DO TRÁFICO

O tráfico internacional de drogas é a principal causa do aprisionamento das estrangeiras. Costumam ser usadas como “mulas” para transportar drogas.

É o caso da sul-africana Precious Mantsho, 32, presa em 2008 – as sul-africanas somam a maior população carcerária do Estado de São Paulo. Depois de um ano e meio, conseguiu a condicional. Sem suporte, sem falar a língua e sem documentos, foi presa de novo por traficar.

Já a brasileira Claudia Delfino, 32, condenada a 26 anos por assaltar um condômino, fala dos conflitos que o choque cultural causa. “É comum a briga entre as presas de culturas diferentes, mas o meu relacionamento com as gringas é melhor do que com as brasileiras.”

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