Doria quer financiar bico de policial civil na região da cracolândia

Jornal Folha de S. Paulo

ARTUR RODRIGUES DE SÃO PAULO EDUARDO SCOLESE EDITOR DE “COTIDIANO”

A equipe do prefeito eleito, João Doria (PSDB), estuda pagar agentes da Polícia Civil para que usem seus dias de folga para trabalhar no combate ao tráfico de drogas na região da cracolândia.

A Polícia Civil, subordinada ao governo do Estado, já é responsável por esse trabalho de inteligência na região. Mas a nova gestão municipal quer fixar e ampliar essa presença para ao menos amenizar a entrada de drogas em ruas do centro de São Paulo hoje ocupadas por usuários de crack.

A iniciativa ocorreria por meio da chamada Operação Delegada, criada na gestão de Gilberto Kassab (PSD) e depois expandida pelo Estado.

Atualmente restrito a PMs, esse programa da prefeitura tem 964 vagas e paga até R$ 25,50 por hora a policiais. Em dias de folga, eles trabalham no combate ao comércio de produtos irregulares, entre outras atividades.
Agora, a ideia é utilizar também o dia de folga de agentes da Polícia Civil para ajudar a sufocar o abastecimento de drogas na região.

A GCM (Guarda Civil Metropolitana) atua na área, mas o prefeito Fernando Haddad (PT) reclama que só ações sociais e de saúde não são suficientes para enfrentar o problema da cracolândia, menos ainda combater o tráfico.

Os responsáveis pela transição de Doria apostam na colaboração da área de segurança da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político do prefeito eleito. Ainda está sendo avaliado, porém, como seria efetivada essa parceria e se haveria algum empecilho para a ação.

SOBRECARGA

Segundo o presidente do Sindicado dos Investigadores de Polícia do Estado, João Batista Rebouças, por lei, os policiais civis poderiam fazer um bico oficial, apesar de isso nunca ter acontecido.

A sobrecarga de trabalho da categoria e seu regime especial, porém, com horários irregulares, dificultaria a ação na folga. “O certo seria o policial trabalhar no esquema 12 [horas de trabalho] por 36 [de folga], mas isso não acontece porque há defasagem de mais de 5.000 policiais no Estado [são cerca de 30 mil na ativa]. Eles trabalham muito mais.”

Consultor em segurança, o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva afirma achar a proposta interessante, mas diz que é preciso um estudo aprofundado, que inclui a definição de um valor que atraia os policiais.
“A cracolândia precisa de um trabalho intensivo sim. Mas é um trabalho que a gente supõe que a Polícia Civil deveria estar fazendo”, diz.

Operação Delegada

O que é
Um convênio entre as prefeituras e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de SP que permite que policiais militares e civis trabalhem nas folgas, recebendo salário adicional pago pelo município

Origem
A prática foi implantada inicialmente na capital, no fim de 2009, e é usada na fiscalização de camelôs ilegais. A atividade se espalhou para outras cidades do Estado

Como funciona
Os policiais usam uniforme e armamento da PM. Os praças, como soldados e sargentos, recebem R$ 21,25 por hora

AÇÕES NA CRACOLÂNDIA

Jan.2012
PMs fazem operações nas ruas e desocupam imóveis abandonados que eram usados por usuários, usando bombas de gás. Dependentes que se concentravam na rua Helvétia se dispersam para outras ruas

15.jan.2014
Assistentes sociais e funcionários de limpeza da prefeitura retiram usuários e limpam a rua. Segundo a prefeitura, após a ação, 300 pessoas foram cadastradas no programa De Braços Abertos

29.abr.2015
Uma operação desarticulada entre prefeitura e governo estadual transforma o centro em praça de guerra, com bombas de gás, barricadas, furtos a pedestres e depredação de ônibus. Dois dias depois, fluxo retorna à quadra ao lado

5.ago.2016
Sem conhecimento da prefeitura, as polícias civil e militar realizam uma grande operação com cerca de 500 homens. A Tropa de Choque dispersa usuários com jatos d’água, balas de borracha e bombas de gás, e policiais civis arrombam hotéis da região e prendem 32 suspeitos de tráfico

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