Representante dos EUA alerta sobre novas drogas e pondera legalização

G1

Mortes por fentanil cresceram 73% no país; heroína teve alta de 23%.
Brian Morales participou de congresso sobre tema em Campinas, SP.

Roberta Steganha Do G1 Campinas e Região

Fentanil e butilona podem vir disfarçados em outras drogas, como LSD e bala (Foto: Reprodução/EPTV)

“Nós estamos muito preocupados com novas substâncias psicotrópicas […] Elas são muito perigosas”, disse o chefe dos Programas Globais de Redução da Demanda de Drogas no Departamento de Estado dos Estados Unidos, Brian Morales, durante sua participação em um congresso internacional sobre o assunto em Campinas (SP), nesta sexta-feira (9). Ele destacou também que “as redes de tráfico não vão desaparecer se elas [drogas] forem legalizadas”.

No evento, Morales salientou ainda que nos Estados Unidos, entre 2014 e 2015, as mortes por opiácios sintéticos como fentanil cresceram 73% enquanto que as por heroína, no mesmo período, tiveram alta de 23%.

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Brian Morales afirma que overdoses por fentanil cresceram nos EUA (Foto: Roberta Steganha/ G1)

Fentanil no Brasil
Os opiácios sintéticos também já estão sendo comercializados no Brasil. Em setembro, o Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Medicina (FCM) da Unicamp identificou uso de fentanil e butilona após intoxicação em jovens na região.

Em agosto, em uma semana, seis pessoas de Campinas (SP), Sumaré (SP) e Indaiatuba (SP) deram entrada em pronto-socorros com suspeita de intoxicação.

De acordo com a forma que o fentanil é utilizado, o efeito pode ser 50 vezes maior que o da heroína e pode levar a uma parada cardiorrespiratória.

Legalização das drogas
Questionado sobre a legalização das drogas, Morales disse que ela não acaba com as redes de tráfico e salientou que o uso de entorpecentes não é algo novo na sociedade. “Se legalizar […] a gente ainda vai ter abuso de droga, desde o Egito antigo as pessoas usam drogas, a gente sabe que é uma doença”, destaca.

Adulteração das drogas
Morales disse também que outra preocupação do governo americano diz respeito à adulteração de drogas. “Elas estão sendo cortadas com adulterantes tóxicos que acabam com os glóbulos brancos […] e as pessoas estão tendo câncer”, explica.

Ele afirma que ver o que está sendo colocado nos entorpecentes ajuda a reduzir danos posteriores, por isso, tem sido realizado em diversos locais um trabalho para identificar essas substâncias por meio de exames.

A identificação ajuda depois a combater, de forma mais eficaz, os danos gerados. “Porque depois, ela pode ter um câncer que veio do crack”, pontua.

Tratamento e prevenção
Morales disse ainda que os  usuários de drogas, independente de qual tipo seja, não podem ser tratados como criminosos.  “Eles são pessoas sofrendo de desordens por uso de substância”, explica.

Para ele, a solução para o problema está em não somente imprimir esforços contra o tráfico, mas também na prevenção e tratamento. “O grande quadro é que temos que melhorar […] Por isso, fizemos o currículo de tratamento universal e o currículo de prevenção universal”, afirma.

Essas diretrizes, que visam ajudar na prevenção e tratamento às drogas, estão sendo ensinadas pela Internacional Prevention and Treatment Professsionals (ISSUP) em um programa de capacitação, durante o encontro em Campinas. “Estamos trabalhando com parceiros para disseminar boas práticas”, conclui.

Freemind
O 4º Congresso Internacional Freemind, que ocorre de 7 a 11 de dezembro, aborda temas como prevenção, capacitação e tratamento de drogas.

Participam do encontro 312 estrangeiros de 44 países cadastrados, sendo 32 palestrantes internacionais, com representantes da ONU, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização dos Estados Americanos(OEA).

A Mobilização Freemind foi criada no Brasil em 2012 e hoje tornou-se uma referência no setor de drogadição. A participação do governo americano é uma de muitas iniciativas e programas da Missão Diplomática dos EUA no Brasil, neste ano.

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