Usuários são realocados após fogo destruir pensão ‘modelo’ de programa na Cracolândia

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Andar superior da pensão, antes de ser danificada pelo incêndio (Foto: Glauco Araújo/G1)

Em 2008, Maria Alaíde largou o emprego de esteticista, fechou o sebo que tinha próximo à Avenida Paulista para tocar o negócio de uma de suas irmãs, que precisou se afastar por problemas de saúde. Assumiu a gestão do imóvel que, à época, funcionava como pensionato, e o transformou em hotel.

Na informalidade local, a casa virou metonímia da dona – “Vamos lá no hotel da Dona Alaíde, o pessoal dizia. E aí ficou”, explica. Seis anos depois, levou o nome batizado no boca-a-boca para o cartório e fechou contrato com a Prefeitura.

Antes de topar a parceria, o hotel tinha os cômodos ocupados por estudantes, pessoas que vinham à capital paulista em busca de tratamento médico, e funcionários de empresas do bairro. O preço acessível, somado à desvalorização da área, estigmatizada há mais de uma década, resultavam em lotação.

“Essa casa nunca faltou público para ela. A gente sempre teve cliente. Acho que temos o tino para isso e tratamos bem as pessoas”, avaliava.

O período anterior ao projeto também serviu para que a senhora autoproclamada evangélica não praticante “sem nunca ter bebido, fumado, usado drogas”, convertesse seu olhar para as mazelas da Alameda Dino Bueno.

“Quando eu comecei a entender que não era sem-vergonhice, porque às vezes as pessoas que olham esse pessoal acham que são uns pilantras, uns vagabundos, sujos. Quando comecei a entender que eles entravam sem querer, e depois não conseguiam sair, e sofriam por isso, deixavam famílias, trabalho, tudo, para cair no mundo que não era o mundo deles, aí eu aceitei.”

Alaíde diz que os custos do hotel elevaram bastante com a mudança de perfil dos hóspedes. Pintava mensalmente as áreas de uso comum, era necessário trocar a fiação elétrica da casa por conta de danos, e gastava diariamente o gogó no apelo por um consumo consciente de água e energia. “Eles deixavam a televisão ligada dia e noite, não apagavam as luzes.”

Embora não negasse a dificuldade no trato diário com a dependência química alheia, reconhecia os benefícios da proposta da antiga gestão municipal. “Com sinceridade, no início do programa a gente perdeu muito a paciência. Mas depois que eles já foram se equilibrando, procurando cuidar de si e do espaço, eu acho que se não tivesse esse projeto, não sei o que seria desse pessoal na rua.”

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