Prédio de Ex-Usuários da Cracolândia tem teste surpresa de drogas e namoro

Prédio de ex-usuários da cracolândia tem teste surpresa de drogas e namoro

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DROGAS E ARMAS MARCAM A DECADÊNCIA DOS BAIRROS DE CLASSE MÉDIA NA GRANDE BUENOS AIRES

Drogas e armas marcam a decadência dos bairros de classe média na Grande Buenos Aires

EL PAÍS percorre Villa Galicia, em Lomas de Zamora, epicentro da violência ao redor da capital portenha

EL PAÍSFederico Rivas MolinaMar Centenera

Mario, de pé na porta de sua casa, espera clientes. Tem 77 anos e vive há 60 anos em Villa Galicia, Lomas de Zamora, na periferia da cidade de Buenos Aires. São 11h da manhã e o dia está claro e fresco. Mario tem uma barbearia que lhe permite viver com o dinheiro justo. Senta seus clientes em uma cadeira de barbeiro que comprou usada há mais de meio século, fabricada em 1890. “É como aquelas que aparecem em filmes de caubói”, diz com orgulho. Mario toma mate e oferece. Logo fala do passado. “Tudo isso era campo. No verão, ao anoitecer, tomávamos mate na calçada. Mas agora você sai para varrer a calçada e é assaltado. Tudo ficou pior desde o ano 2000, um pouco pela crise econômica e outro pouco pelos problemas que trouxe a droga”, lamenta. A meio quarteirão de sua casa está a 8ª delegacia. Na segunda-feira à noite, dezenas de moradores cobraram aos gritos o delegado pela morte de um casal de aposentados, vítimas de um assalto.

Lomas de Zamora está no olho do furacão da insegurança: cinco assassinatos em cinco dias, um deles o de uma criança de três anos nas mãos de um menor de 16. Depois foi o casal de aposentados, uma mulher que caiu de um ônibus para proteger seu bebê e, por último, um motorista de ônibus assaltado na porta de sua casa. Villa Galicia está tranquila perto do meio-dia e é difícil imaginar que algumas horas antes houve ali quase uma revolta de moradores contra a polícia. É um bairro de casas baixas, de classe média, com pequenos comércios e muitas histórias comuns entre os mais velhos. “Eu nasci aqui, nesta casa, há 66 anos. Veio a parteira e me ajudou a nascer”, diz Jorge. “Meu pai era o leiteiro do bairro e no início dos anos 50 ainda distribuía as garrafas em um carro. Éramos todos vizinhos, como uma só família. Agora você tem que se cuidar de todos. A solidariedade entre as pessoas foi perdida e a polícia não serve para mais nada”, diz com melancolia. Agora está aposentado, e sente saudades do tempo em que saía com sua companheira para andar pelo bairro. “Não damos nem a volta no quarteirão, porque temos medo”.

Na frente da casa de Jorge, Elizabeth, 50 anos, tem um salão de beleza. Ainda se lembra quando a casa de sua avó, a duas ruas dali tinha “apenas um arame farpado separando da rua, ameixeiras na porta e um enorme galinheiro no fundo cercado por abóboras”. “Minha mãe era catalã e conheceu meu pai no clube social que está no mesmo quarteirão. Este bairro é toda minha história, mas está arruinado. Minha avó trabalhava e voltava sozinha tarde da noite. Eu tenho uma filha de 18 anos e a levo e vou buscar em todos os lugares. Avisamos quando voltamos para casa para que nos esperem com o portão do carro aberta”, conta. E quando começou a mudar a situação? “Começou um pouco antes da crise de 2001, mas piorou muito há quatro ou cinco anos. O problema é a droga e a falta de educação. Quem rouba são todos meninos, têm 15 ou 16 anos. Antes a droga era para ricos, agora compram o crack barato (pasta base da cocaína), queimam a própria cabeça, vêm e apontam uma arma para você”, responde.

“Ao anoitecer tomávamos mate na calçada, mas agora você sai para varrer a calçada e é assaltado”

Os moradores de Villa Galicia agora falam de roubos, sequestros e assassinatos. Mas antes as histórias eram mais inocentes, carregadas desse humor interiorano que as torna perenes. Juan Carlos se lembra de sua infância nos anos 50, quando a travessura era roubar melancias e melões de um quitandeiro que tinha uma horta a 200 metros da sua casa. “Saíamos correndo e o velho nos perseguia com um cavalo e batia na gente com um chicote. E o clube era a alma do bairro, onde aconteciam os bailes. Havia um bonitão no bairro chamado Garay que estava sempre vestido de branco, impecável. Um dia contrataram um boxeador como segurança, um tal Ramírez, e como o bonitão aprontou das suas, o segurança deu uma surra nele. Como a rua era de terra ficou todo preto com o pó”, ri.

O governo da província de Buenos Aires reconhece que a insegurança é um problema, mas insiste que deu a Lomas de Zamora os recursos suficientes para enfrentá-la. O prefeito do distrito, Martín Insaurralde, pertence à oposição. “Adicionamos 35 carros patrulha, mais de 120 policiais, 10 motos para as delegacias e 140 efetivos do UTOI, uma unidade que dá respostas rápidas. Eu quero uma polícia mais perto das pessoas, temos a responsabilidade política de responder”, diz o ministro de Segurança, Cristian Ritondo. Os especialistas não concordam com a estratégia de mais policiais, mas de “melhores policiais” e alertam para o avanço do tráfico de drogas.

Varejo de drogas

O Defensor do Povo de Buenos Aires, Guido Lorenzino disse que “precisamos realizar uma reforma da polícia que dê mais força aos governos locais, que são aqueles com experiência no território”. E destaca que a venda de drogas é um dos principais fatores de violência. “Encontra nos setores mais vulneráveis mão de obra barata para penetrar como oportunidade de trabalho. Vendem frios e no mesmo balcão vendem crack”, diz. Claudio Stampalija, diretor do Centro de Estudos para a Prevenção do Crime da Universidade de Belgrano, concorda que a venda de drogas “está crescendo e aumenta a insegurança em lugares onde não havia esse problema”.

“Compram crack, queimam a própria cabeça, vêm e apontam uma arma para você”.

Para o ex-promotor penal de San Isidro, Martin Etchegoyen Lynch, as soluções devem ser a médio e longo prazo “principalmente educativas e sociais para evitar, no futuro, a entrada de mais pessoas no crime”. “E no curto prazo quem agride deve ser separado da sociedade. A quantidade de criminosos com pedido de captura em nosso país ultrapassa o de presos; aí está a causa imediata de nossa insegurança”, diz. Tobías Schleider, pesquisador do Instituto Latino-Americano de Segurança e Democracia (Ilsed), argumenta que é importante ter dados confiáveis sobre delitos para que as pessoas não pensem que as informações estão sendo escondidas e saibam realmente o que está acontecendo; caso contrário, aumenta o medo da insegurança. Também pede uma política de controle e redução de armas: “Algumas que são usadas em crimes são compradas no mercado negro, mas muitas são roubadas de pessoas que se armam para se sentirem mais seguras”.

Em Villa Galicia não há mais crianças brincando nas calçadas, as casas têm grades e as portas estão bem trancadas. María Sol tem apenas 24 anos, mas é suficiente para ter vivido a mudança dos tempos. “Quando éramos crianças brincávamos na rua, agora escurece e não saímos”, conta. “Isso começou a ficar complicado quando eu tinha 17 anos. Aos 15 anos ia sozinha dançar e agora tenho um irmão de 15 e minha mãe vai buscá-lo de carro na escola, a cinco quarteirões daqui. Se já ficou escuro, peço um táxi por 200 metros”, diz. E conta como uma amiga por pouco conseguiu evitar o sequestro de seu filho pequeno na saída do colégio, enquanto ao seu lado Ximena, dona de um armazém, concorda: “Eu trabalho trancada atrás das grades”.

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O CONSUMO DE HEROÍNA CHEGA A NÍVEIS DE EPIDEMIA NOS ESTADOS UNIDOS

O consumo de heroína chega a níveis de epidemia nos Estados Unidos

Em 2016, cerca de 60 mil pessoas morreram pelo consumo de drogas nos EUA, maior quantidade da história

EL PAÍS

Pablo de Llano– Miami

(Viciado em uma rua do Bronx, em Nova York. SPENCER PLATT AFP)

Luis González era viciado em crack e cocaína, foi preso, se recuperou, trabalhou como guarda-costas de um cantor dos Bee Gees e tornou-se monitor de viciados em um centro de desintoxicação. Mas esse homem tarimbado de 59 anos não tinha visto nada parecido com o que está acontecendo agora. “Eles estão indo todos para o cemitério”, diz. A epidemia de opiáceos queima as veias dos EUA. Segundo o The New York Times, em 2016 as drogas mataram mais gente do que nunca, pelo menos 59.700 (uma projeção a partir de dados oficiais do primeiro semestre e que continua subindo desde os 47.000 de 2014 e os 52.400 de 2015). No ano passado, morreram mais norte-americanos do que nos 19 anos da Guerra do Vietnã.

Desse total de mortes, cerca de 35.000 foram devidas ao consumo de heroína pura ou misturada com opiáceos sintéticos ilegais que têm como principal origem a China e que até pequenos traficantes conseguem receber pelo correio depois de fazerem o pedido em sites ocultos da Internet. O composto mais comum de cinco anos para cá, 50 vezes mais forte do que a heroína, é o fentanil –que matou Prince em 2016–, outro mais recente, mas pouco usual, é o carfentanil, 100 vezes mais potente que o fentanil e capaz sedar com uma pitada um elefante de seis toneladas.

Mas nenhum perigo por desmesurado que seja parece espantar um viciado em heroína. “Eu não tenho medo”, afirma Edward [os nomes dos viciados entrevistados são fictícios, a pedido deles], um branco de 31 anos, em Overtown, o mais antigo gueto negro de Miami. “É uma loucura o que estou te dizendo, não? Pois eu não tenho medo. Chega um momento em que você não se preocupa com mais nada. Esta manhã eu me levantei doente, vomitando, e acabei comprando uma heroína de merda, sem nenhuma força. Um lixo”. Dez minutos depois, Edward estava no chão, caído junto a um semáforo, vendo passar os carros.

Luis González, que trabalha em um centro de desintoxicação em Miami.
Luis González, que trabalha em um centro de desintoxicação em Miami. P. LL.

“A informação disponível sugere que o problema continuará a piorar durante 2017”, diz por e-mail Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA, na sigla em inglês). “Essa tendência é resultado de uma crise de saúde pública alarmante. A overdose de drogas é a causa de morte mais comum entre os norte-americanos com menos de 50 anos”, acrescenta.

O consumo da heroína subiu nesta década e é consequência da facilidade de acesso que existiu na década anterior ao uso médico de fortíssimos analgésicos legais. Na esteira da batalha dos anos noventa contra as fábricas de cigarro, vários Estados processaram empresas farmacêuticas por terem supostamente incentivado o consumo de medicamentos que causam dependência, influenciando inúmeros médicos que os prescreveram sem restrição. A Flórida se tornou a capital das clínicas que dispensam comprimidos, chamadas pill mil (moinhos de comprimidos).

“Comecei com a oxicodona”, lembra Dylan, um rapaz loiro de série de televisão para adolescentes de 23 anos viciado em heroína. “Odeio estar assim. Eu era um cara muito popular quando era garoto. Mas estraguei tudo”. Ana, de 25 anos e origem porto-riquenha, começou com a heroína de uma maneira chocante: “Meu avô era viciado e injetou-me heroína para me estuprar quando eu tinha 14 anos. Fiquei grávida e abortei”. Agora ela anda sobre a corda-bamba dos coquetéis selvagens que consome: “Desde janeiro eu morri cinco vezes. Cada dia colocam coisas mais fortes na mistura e morro mais do que antes”.

Ana, Edward e Dylan recebem cuidados do Miami Needle Exchange, uma ONG de financiamento privado que lhes dá seringas novas e faz testes de HIV –Miami é a segunda cidade em novas infecções depois de Baton Rouge (Louisiana). Os agentes do programa estacionam o furgão e a briosa coordenadora Emelina Martínez, de 49 anos, sai para caminhar por Overtown para cumprimentar as pessoas, para que saibam que chegaram. Em cada esquina são percebidos movimentos fugidios entre as mãos que distribuem a droga discretamente. Uma branca gaiata e magra como um fio cumprimenta em meio segundo um negro de bicicleta e esconde suas doses sob as calças. “É La Flaca”, diz Emelina. Um rapaz branco, na faixa dos trinta anos, que usa uma camiseta com uma caveira passa de patinete ao lado dela e faz um gesto mal-humorado. “Ele é um dos mais ariscos”, comenta.

Na Flórida, um dos Estados mais atingidos pela praga, mais de 4.000 pessoas morreram em 2016 de overdoses relacionadas com opiáceos, de acordo com cálculos preliminares não oficiais. As estatísticas públicas registraram um aumento de mais de 100% no número de mortes por heroína e fentanil entre 2014 e 2015. Os casos compilados pela imprensa são cada vez mais brutais. No último sábado foi divulgada a autópsia de um casal encontrado morto na madrugada do Ano Novo em Daytona Beach (Flórida) com seus três filhos pequenos na parte de trás do carro. Overdose de fentanil.

Emelina Martínez, coordenadora de uma ONG que cuida de viciados em Overtown (Miami).
Emelina Martínez, coordenadora de uma ONG que cuida de viciados em Overtown (Miami). P. LL.

Depois de vários anos resistindo, o governador Rick Scott, um republicano muito conservador, declarou estado de emergência de saúde em maio e concedeu 54 milhões de dólares (cerca de 179 milhões de reais) para o próximo biênio que serão investidos em prevenção, tratamento e reabilitação. Os viciados, admitiu Scott, “são filhos, filhas, mães, pais, irmãs, irmãos e amigos e suas tragédias deixam seus entes queridos em busca de respostas e elevando orações para que alguém os ajude”.

Tomando café com Luis González, seu amigo de origem cubana, Danny Tricoche, de origem porto-riquenha, ex-heroinômano de 63 anos e membro de outro centro de reabilitação, diz com amargura: “Antes a droga era coisa dos latinos e dos negros pobres das grandes cidades; agora que foi para os subúrbios dos brancos, ah!, agora sim temos um grande problema”. Os registros de usuários da organização Miami Needle Exchange refletem a nova característica racial da epidemia: 152 são brancos, 117 são latinos e apenas 12 são afro-americanos. Ermelina Martínez diz: “Os jovens negros gostam de maconha, mas não costumamos vê-los consumindo heroína. Eu acho que como cresceram vendo esses viciados em drogas em suas ruas e sabem o que aconteceu com seus pais com o crack na década de noventa, não se metem nisso”. Ela conta que se ao seu furgão chegam profissionais dos bairros acomodados dirigindo seus carros de gama superior, trocam suas seringas sem dizer uma palavra e se retiram.

“Eu não entendo esse massacre” lamenta González, e conta com familiaridade exemplos do novo pesadelo americano que, por causa do trabalho que faz, sabe em primeira mão, como “uma cheerleader da Carolina do Norte que não sai de Overtown”, ou uma dançarina de striptease chamada Strawberry [morango] por seu cabelo ruivo: “Algum tempo atrás ela veio me pedir dinheiro e pedi que tivesse cuidado porque estão jogando fentanil em tudo. Mas ela já estava tão ruinzinha que disse: “O fentanil me cura”. Bom, há um mês foi encontrada morta debaixo de uma ponte. Assim perdemos a Strawberry. Pobre branquinha”.

Dados de uma nação viciada

Jovem viciado no bairro de Overtown (Miami).

Jovem viciado no bairro de Overtown (Miami). P. DE LLANO

P. DE LLANO | Miami

Os números da epidemia são colossais. Em 2015, dois milhões de norte-americanos tiveram problemas com opiáceos de prescrição e 591.000 com heroína. Essa droga implicou num custo social de 51 bilhões de dólares naquele ano, quase o mesmo montante do novo aumento de gastos militares anunciado pela Casa Branca. Os EUA possuem 5% da população mundial, mas consomem 80% do mercado mundial de medicamentos opiáceos. Policiais e bombeiros começaram a portar doses de naloxona, um antídoto de urgência para overdoses, para intervir nos casos que encontram nas ruas. Nora Volkow, diretora do principal instituto público contra as drogas, afirma que é urgente uma resposta “multifacetada” para a qual defende “pesquisar medicamentos alternativos contra a dor que não causem dependência, desenvolver métodos mais eficazes para neutralizar as overdoses e para o tratamento da dependência; e educar a população, incluindo os médicos”. Trump criou uma comissão contra a epidemia. Em seus discursos definiu-a –ao lado “do crime e das gangues”– como um fator do que chama de “a carnificina americana”.

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É hipocrisia criticar ação policial sem conhecer a realidade da cracolândia, diz psicóloga

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O que sabemos sobre pessoas em recuperação e seus problemas com álcool e outras drogas?

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Irmão de Suzane von Richthofen é internado em ala psiquiátrica de hospital em SP

Segundo boletim médico, Andreas von Richthofen chegou à unidade escoltado por PMs após invadir imóvel na Zona Sul. À noite, Andreas teve autorizada a transferência para um hospital psiquiátrico.

G1

Por Will Soares, G1 SP, São Paulo

Andreas von Richthofen, de 29 anos, irmão de Suzane von Richthofen, foi internado nesta terça-feira (30) no Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim médico, ele foi levado ao hospital por policiais militares após invadir uma casa. Andreas estava dormindo no quintal da residência e apresentava diversos ferimentos pelo corpo.

Suzane cumpre pena na prisão em Tremembé por mandar matar os pais em 2002.

O filho caçula da família Richthofen deu entrada no hospital por volta das 8h30. Com roupas rasgadas, “higiene precária” e “olhos vidrados”, como definiu o boletim médico, ele chegou escoltado por uma equipe da PM.

No pronto-socorro, passou por um médico a quem disse estar “paranoico”. As escoriações, espalhadas principalmente pelas pernas, teriam sido causadas pelas pontas de lança da grade do imóvel invadido, conforme relatou ao clínico geral.

Segundo a sala de imprensa da PM, Andreas foi localizado em uma travessa da Avenida Washington Luís, perto da Avenida Vicente Rao, na Chácara Flora, região de Santo Amaro, na Zona Sul.

Andreas, que é doutor em química pela Universidade de São Paulo (USP), teve autorizada sua transferência ainda na noite desta terça-feira para a Casa de Saúde João de Deus, um hospital psiquiátrico em Pirituba, na Zona Oeste de São Paulo (veja o documento de transferência mais abaixo).

Reprodução de foto da família Richthofen. Da esquerda para a direita: Suzane von Richthofen, o irmão Andreas Albert von Richthofen e os pais Marísia von Richthofene e Manfred Albert von Richthofen (Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo)

 

Reprodução de foto da família Richthofen. Da esquerda para a direita: Suzane von Richthofen, o irmão Andreas Albert von Richthofen e os pais Marísia von Richthofene e Manfred Albert von Richthofen (Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo)

 Funcionários do Hospital do Campo Limpo também ouviram de Andreas que a ideia de invadir a casa não foi dele, e sim uma “ordem do imperador”. O rapaz contou à equipe médica que faz uso esporádico de álcool e maconha, mas afirmou que não consumiu nenhuma das substâncias recentemente.

Andreas foi avaliado novamente na parte da tarde, desta vez por um psiquiatra, e acabou internado na ala de saúde mental da unidade. Oscilando entre momentos de lucidez e devaneio, em que diz temer que alguém o mate, ele agora divide um quarto com outros dois pacientes.

Andreas chegou ao hospital com brasão da família Richthofen no bolso (Foto: Arquivo Pessoal)

Andreas chegou ao hospital com brasão da família Richthofen no bolso (Foto: Arquivo Pessoal)

A ala em questão é guardada por um segurança e só pode ser acessada por quem tem a chave. Pacientes lá internados têm a liberdade de deixar as macas e caminhar quase que livremente pela seção, que mais parece pertencer a um hospital ou casa de repouso particular por conta da organização.

Enrolado em um cobertor cinza, André, como foi involuntariamente rebatizado no hospital, vaga pelos corredores e até já troca breves palavras com outros internos. A maca dele fica no chão, mas por questão de segurança, de acordo com funcionários.

Até a tarde desta terça, nenhum familiar de Andreas havia aparecido no hospital para visita-lo ou procurar notícias. O único elo com a família no local, por enquanto, é o brasão de ouro que foi recolhido em seu bolso e que traz o sobrenome que diversas vezes estampou capas de jornais do país. O objeto está guardado na administração.

Andres será transferido para uma casa de saúde em Pirituba (Foto: Arquivo pessoal)

Andres será transferido para uma casa de saúde em Pirituba (Foto: Arquivo pessoal)

Relembre o caso

Suzane foi condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os pais em 2002 e cumpre pena na penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, a P1 Feminina de Tremembé, no interior de São Paulo.

Ela confessou participação no assassinato dos pais, ocorrido em 31 de outubro de 2002. O casal Manfred e Marísia von Richthofen foi morto pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos na mansão onde moravam, na capital paulista. O irmão dela, Andreas, tinha 15 anos na época do crime.

Daniel namorava Suzane, que teria planejado o crime porque não tinha um bom relacionamento com os pais. Ela pretendia dividir o dinheiro da herança da família com os Cravinhos. Os irmãos também foram presos e condenados ao regime fechado. Em fevereiro de 2013, progrediram para o regime semiaberto.

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Tabaco mata mais de 7 milhões por ano, diz OMS

Revista Veja

Saúde – Tabaco mata mais de 7 milhões por ano, diz OMS

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, eliminar propagandas e apostar em políticas tributárias seriam formas de frear o consumo

O tabaco mata, por ano, mais de sete milhões de pessoas no mundo, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta terça-feira, em razão do Dia Mundial Sem Tabaco. No documento, a instituição avaliou o impacto do consumo da substância na saúde, na economia e no meio ambiente e defendeu a proibição da propaganda e o aumento dos preços e impostos sobre o produto, como forma de reduzir seus males.

“O tabaco é uma ameaça para todos. Agrava a pobreza, reduz a produtividade econômica, afeta negativamente a escolha dos alimentos consumidos nas residências e polui o ar em ambientes fechados”, afirmou Margaret Chan, diretora geral da OMS, em um comunicado.

No início do século, o tabagismo beirava um índice de mortalidade de quatro milhões. Hoje, ele atinge mais de sete milhões de pessoas, matando metade dos fumantes e custando aos governos e populações cerca de 1,4 trilhão de dólares anuais em gastos com saúde e perda de produtividade.

Segundo a OMS, o cigarro e as doenças relacionadas afetam principalmente pessoas pobres. Até o final do século, a agência da ONU estima que o tabaco irá contabilizar mais de um bilhão de mortes no mundo.

Sustentabilidade

Este é o primeiro relatório da OMS que considera os efeitos do tabaco na natureza e revela dados alarmantes. Os resíduos de tabaco contêm mais de 7.000 substâncias químicas tóxicas. Só a fumaça do cigarro, por exemplo, libera milhares de toneladas de substâncias tóxicas cancerígenas e gases do efeito estufa para o meio ambiente.

Além da poluição pela fumaça, os resíduos das bitucas de cigarro são o tipo de lixo mais numeroso. Quase 10 bilhões dos 15 bilhões de cigarros vendidos diariamente pelo mundo não são devidamente descartados. De acordo com o relatório, as bitucas representam entre 30% e 40% dos objetos recolhidos pelos serviços de limpeza urbana.

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O comunicado levanta a importância da proibição da propaganda, da venda e uso em locais fechados e ambientes de trabalho; e defende o aumento de preços e impostos sobre os produtos.

“Ao adotar medidas firmes de luta antitabagismo, os governos protegem o futuro de seus países porque protegem toda a população. Além disso, geram recursos para financiar os serviços de saúde e outros serviços de sociais e evitam os estragos que o tabaco provoca no meio ambiente”, disse Margaret.

Brasil

Recentemente, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) sugeriu novas propostas de alteração das embalagens de maços de cigarro com mensagens mais incisivas sobre os efeitos do tabaco.

“Muitos governos estão tomando medidas contra o tabaco, desde a proibição da publicidade e comercialização até a adoção do pacote neutro e a proibição de fumar nos espaços públicos e locais de trabalho. No entanto, uma medida de luta antitabagismo menos utilizada que resulta muito eficaz é a aplicação de políticas tributárias e de preços, que os países podem aplicar para satisfazer suas necessidades de desenvolvimento.”, explicou Oleg Chestnov, médico subdiretor da OMS para doenças não-transmissíveis e saúde mental.

(Com AFP)

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